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segunda-feira , 21 maio 2018
Você vê mais do que tem consciência
Jay Sanguinetti preparando voluntário para escaneamento cerebral em foto de Patrick McArdle

Você vê mais do que tem consciência

(Foto de Patrick McArdle para o UANews)
Veja a sequência de imagens a seguir e procure memorizar o que vê em cada uma:

As imagens são ambíguas, possibilitam que se veja mais de um objeto ao mesmo tempo. Algumas pessoas percebem imediatamente a múltipla possibilidade, outras têm mais dificuldade em distinguir qualquer coisa além de um vaso. Os mestres das artes, como o surrealista Salvador Dali, brincavam muito com esse jogo perceptivo. O que a ciência conseguiu desvendar é que seu cérebro consegue perceber todas as imagens escondidas na tela, mas acaba fazendo uma seleção de relevância, descartando a imagem que julga menos importante. Esse processo é tão rápido que não chega à consciência, de modo que parece que apenas percebemos parte da imagem.

Um experimento foi realizado por Jay Sanguinetti, da Universidade do Arizona nos Estados Unidos. Ele monitorou o cérebro de voluntários, através de um eletroencefalograma, enquanto mostrava as imagens do início do posto, entre outras. Os dados colhidos dos participantes indicam que mesmo que uma pessoa nunca reconheça a silhueta da figura (a imagem escondida), seu cérebro continua a processar a imagem de modo que ela tenha um significado. Isso é mostrado pelas ondas neurais, que atingiam picos chamados N400, indicando que o cérebro estava reconhecendo os objetos e os associando a algum sentido. “Os participantes de nosso estudo não notaram as formas do lado de fora, mesmo assim, seus cérebros nos dizem que eles processaram o significado da imagem” como explica Sanguinetti. De alguma forma, o cérebro está rejeitando essas formas e, se ele rejeita, você não tem nenhuma consciência de que elas existem.

Veja agora alguns trabalhos de artistas que brincam com as possibilidades visuais, como o renascentista Giuseppe Arcimboldo (séc XVI), um dos precursores da ilusão de ótica na pintura, também Salvador Dali e o ucraniano Oleg Shuplyak, que baseia sua obra na dualidade de imagens:

As imagens do teste de Rorschach (usadas no experimento) são mais básicas, permitindo a leitura do funcionamento do cérebro ao visualizar a imagem evidente e a silhueta (seu inverso). Algumas das imagens mostradas não têm nenhuma silhueta, isto é, não há imagem escondida. Pois um dos dados mais curiosos da pesquisa é que para estas imagens o cérebro não perde tempo, identificando que não há referente significativo além da imagem principal. Por outro lado, quando há imagens escondidas, o cérebro as processa, mas envia à consciência, após descartar as percepções que julga menos relevantes, apenas a percepção que, por algum motivo, escolheu como mais importante. O que intriga os pesquisadores é por que a mente gasta tempo identificando e dando significado a imagens que não vai dispor à consciência. A hipótese defendida por Mary Peterson, professora de psicologia e diretora do Programa de Ciência Cognitiva da Universidade do Arizona, é que o cérebro está decidindo o que vai ser percebido e só depois opta pela melhor interpretação: “O cérebro está peneirando todas as possibilidades e procurando a melhor interpretação que está lá fora. E a melhor interpretação pode variar de acordo com a situação.”

Jay Sanguinetti. Foto de Patrick Mcardle do UANews

Foto de Patrick Mcardle do UANews

Não se sabe como se dá essa escolha, qual critérios a mente utiliza, embora as hipóteses girem em torno dos mesmos critérios que garantam a adaptação do homem ao meio e seu melhor desempenho na sua relação com o mundo. Também não se sabe o que acontece com as informações descartadas. Peterson sugere que nosso cérebro evoluiu de modo que apenas detecta aquilo que seria relevante, como caça, ameaça, comida, por isso descarta aquilo que não seria importante no momento. O cérebro trabalha para prover a melhor interpretação do mundo visual, segundo Sanguinetti, uma interpretação que não necessariamente inclui todas as informações que vemos. Os dados dessa pesquisa contribuem para um campo em que a ciência tem se debruçado arduamente, possibilitando lançar luz sobre, por exemplo, como nossa mente percebe imagens subliminares.

Assim, pode-se afirmar que nosso cérebro assimila e processa muito mais informação do que vêm à consciência. Que esse volume de dados é criteriosamente selecionado, determinando o que será “verdade”, ou “real”, e o que será lançado ao limbo das informações esquecidas. outra formulação importante é que as escolhas feitas pelo cérebro de cada um são únicas, provenientes do seu próprio universo perceptivo e de sua cultura pessoal, ou seja, cada pessoa tem um única percepção de mundo. O seu raciocínio depende daquilo que você viveu. Pensando desta forma, desejarmos que os outros vejam (literalmente) o mundo do nosso jeito é quase que uma utopia. Devemos sim abrir nossa consciência e aceitar que certas coisas têm mais que uma explicação: o que seu cérebro vê pode não ser o mesmo o que outra pessoa vê.

Resposta das figuras:

1 – Dois cavalos marinhos de frente um para o outro;
2 – Coelhos de perfil escondidos (dica: olhe para as patas);
3 – Um lagarto branco, não há figuras escondidas;
4 – Dois hidrantes;
5 – Não imagem escondida;
6 – Não há imagem escondida.

Pesquisa: http://pss.sagepub.com/content/early/2013/11/08/0956797613502814.abstract

Baseado no artigo publicado no UANews e no artigo da National Geographics

Sobre Ana Carolina F. K. O.

Ana Carolina é bióloga pela Universidade Federal de São Carlos. Docente de ciências e biologia, reside em Belo Horizonte e sacia seu espírito investigativo em sites de Universidades do mundo todo.

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