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terça-feira , 12 dezembro 2017
Ser feliz é um ato de Rebeldia!
Ilustração de Pascal Campion: http://pascalcampion.blogspot.com.br/

Ser feliz é um ato de Rebeldia!

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Ilustração de Lora Zombie: http://www.lorazombie.com

Viver é um ato de rebeldia, viver bem é mais rebelde ainda. Verifica-se que as forças que formam a civilização em que vivemos e na qual somos formados impelem-nos, silenciosa e sutilmente, a vivermos sérios, comprometidos com o funcionamento da máquina do capitalismo, impessoais, frios, muito longe do ideal de felicidade que todos temos.Tomando como princípio que rebelde é todo ato de destoe da maioria (fora do que se espera do comportamento humano em sociedade),  chega-se fácil à percepção de que cada etapa da vida é um processo lento e progressivo de enquadrar o indivíduo num modelo existencial mecânico e utilitário. Ser feliz é rebeldia.

As principais instituições que formam as funções existenciais da vida humana em sociedade são: a Escola, o Trabalho e a Família. Tais instituições determinam a condição humana dos indivíduos, isto é, quem somos. Pense na pergunta mais comum das relações humanas: o que você é? A resposta depende do vínculo com as instituições mencionadas: sou estudante (aluno); dentista, professor, psicólogo (funções profissionais); ou mãe de três filhos, pai de família, conforme quem responde julga ser mais relevante cada uma das instituições. Em todos os casos, identificamo-nos com as forças que nos enquadram e nos oprimem, isto é: Somos o que nos delimita na sociedade.

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Ilustração de Lora Zombie: http://www.lorazombie.com

1 – Escola: publicamos aqui vários artigos que refletem o papel constrangedor e opressor do ambiente escolar institucional, entre os quais destacam-se Escola: deformando a identidade das pessoas há séculos e Hackeando a escola, o ensino, a vida. Durante os anos de estudo somos disciplinados a ficarmos quietos, passivos, sérios, concentrados nas tarefas que nos são propostas independente das nossas particulares capacidades, talentos. É possível usarmos como metáfora plena da prática de poderes exercida na escola o desenho que não pode ser pintado fora da linha. As crianças são instruídas a pintar “livremente” suas folhas de sulfite previamente impressas com desenhos (quaisquer que sejam), portanto que não pintem fora das linhas que delimitam o desenho. Não são raras as  instruções que limitem até o uso da cor, como criticar alguém que pinte um céu de rosa ou verde, quando “deveria” ser azul. As escolas Matam a criatividade, como defende muito bem Ken Robinson.

Pense bem, todos os momentos mais alegres que vivemos na escola são atos de rebeldia: a adrenalina de colar em uma prova e não sermos pegos, a aula cabulada para bater papo no pátio, o dia em que explodimos uma bombinha no banheiro, quando roubamos (de sacanagem) algum objeto de professor tirano, ou algum produto químico do laboratório da escola. Agora adultos, lembramos dessas traquinagens como os melhores momentos da época escolar, mas foram justamente os atos mais proibidos que conseguimos realizar nessa instituição.

Ou seja, só fomos felizes na escola quando fomos rebeldes!

Ilustração de Jorge Vargas: https://www.behance.net/Jorgechilivargas

Ilustração de Jorge Vargas:
https://www.behance.net/Jorgechilivargas

2 – Trabalho: no artigo “Abrindo mão da dignidade, posso ficar sem trabalhar?” foi abordada com profundidade a tendência que temos de sermos vítimas sofridas da vida profissional. Não é nada admirável parecermos felizes e satisfeitos com nosso tempo gasto trabalhando, muito pelo contrário, quanto mais se expressa cansaço, sofrimento, esforço heroico, mais respeitável parece que nos tornamos. Incrível como preferimos expressar infelicidade para merecer respeito que prazer e satisfação, com medo de sermos vistos como vagabundos, “boa vida”, “vida fácil”. Qual o problema e sermos felizes com o tempo gasto trabalhando? Qual o problema e termos uma vida mais fácil por ser legal fazer o que nos traz o dinheiro para o sustento? Qual o problema em ser mais fácil nossa vida que a dos outros, pois quando alguns gastam 10 a 12 horas do dia sacrificando-se para garantir a sobrevivência, esse tempo nos é usufruído deliciosamente? O problema existe e é poderoso. Ao ler essas frases todos nos rebelamos internamente defendendo com ardor nossa felicidade profissional, mas é só se apresentar uma situação cotidiana, uma conversa de rua com um estranho que nos aponte: “Que vida leve  e boa que você leva, hein?” para imediatamente nos sentirmos ofendidos e buscamos defender nosso legítimo sofrimento diário. Nós somos vítimas dessa síndrome de vitimização que a vida profissional nos exige.

É um tremendo ato de rebeldia defender sempre que se é feliz com o que faz, com a profissão que exerce, aceitando mesmo o desprezo das forças de vitimização da sociedade, assumindo com sorriso seguro que “Sim, minha vida é leve”, “A vida tem sido generosa comigo”!

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Ilustração de Pascal Campion:
http://pascalcampion.blogspot.com.br/

3 – Família: em nenhum momento julga-se aqui dispensável, ou desprezível os processos educativos, é muita ingenuidade julgar que o “faça o que tu queres” o tempo todo possa ser um modelo existencial possível. Pense no processo educacional familiar, desde o nascimento até a morte, as relações familiares são fortes relações de poder, de opressão, de castração. Toda obra freudiana foi concebida refletindo as forças castradoras do processo educacional, algumas delas mais poderosas que outras, particularmente as que dizem respeito à sexualidade. É em casa que se aprende bons modos, respeitar os mais velhos, não aceitar coisas de estranhos, não andar com tais pessoas que não são boa companhia, não brincar na hora da refeição, não comer sobremesa antes da mesa, e mais uma montanha de limitações comportamentais que nos permitirão viver em sociedade normalmente, de forma sadia. Contudo, são esses mesmos processos que acabam por restringir o universo de possibilidades de satisfação existencial, ao substituirmos a gargalhada pelo riso educado, a gula desenfreada pelo prato moderado, a brincadeira eufórica pelo CUIDADO. Todas restrições justificáveis, isso é inegável, mas são restrições cuja transgressão é ato de rebeldia (e boas recordações).

Nada que nos faça sentirmo-nos mais transgressores (e felizes) que permissões educacionais (em relação às normas vigentes), como:

– Deixar as crianças andarem descalças; – Comer comida que acabou de cair no chão (lei dos 5 segundos) só com uma assopradinha; – Pintar com guache emporcalhando tudo ao redor; – Deixar que filha não use a parte superior do biquíni ou ande de calcinha; – Esbaldar-se de chocolate e porcaria antes do almoço; e mais um monte de “bagunças” familiares que marcam definitivamente a infância e estabelecem os mais duradouros e saudáveis laços relacionais.

Enfim, faça uma ligeira anamnese dos momentos mais incríveis que você viveu, das melhores recordações que te fazem crer que viver vale a pena: foram todos atos de rebeldia! Está aí um segredo nunca ensinado, até porque o que se ensina é o avesso disso, transgredir é realizar a plena possibilidade de felicidade! Somos mais felizes quando nos rebelamos, ou melhor, só conseguimos ser felizes quando somos rebeldes!

Sobre Adriano Dias

Adriano Dias é um dos idealizadores do projeto, articulista e mergulhador no "mar de signos" em busca de formas curiosas e relevantes de cultura. Também leciona literatura, gramática e técnicas de redação como profissão.

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