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quinta-feira , 27 abril 2017
Semema no Psicodália: 5º Dia (o começo do fim)

Semema no Psicodália: 5º Dia (o começo do fim)

Os dois últimos dias do Psicodália reservaram emoções mais leves, o pessoal mais cansado, calmo, as novas rodas de amigos mais importantes que os shows. Acordamos na terça-feira de Arnaldo Baptista com algumas pessoas já descendo o acampamento, de volta à civilização. Poucos, mas o suficiente para chamar a atenção. Iam todos com cara de que queriam ficar mais um pouco, pisoteando a lama com cuidado para não sujar a bagagem. As crianças despertam excitadas, vão ensaiar e apresentar uma peça composta por elas mesmas, com ajuda de Camila, mãe de Giovana, para toda plateia do teatro.

A área das oficinas, teatro, cinema e recreação infantil é deliciosa, com pais, filhos e jovens de todas as idades dividindo experiências, conversando sobre educação, política, formação da sociedade, mudanças de paradigma, muito do que discuto aqui no Semema, cada qual com suas referências e reflexões, contribuindo para dar mais clareza a esse novo cenário global que parece estar sendo fundado em nossos tempos (veja os artigos: Carpe Diem, você está vivenciando o fim do mundo; A revolução invisível: já estamos trocando a competição pela colaboração; Em defesa do vírus: o ser humano é um animal incrível ;Hackeando a escola e a vida). As oficinas têm participação intensa, bastante gente interessada em aprender novas habilidades manuais, culturais e cognitivas, de modo ativo, participativo, dinâmico. Os palestrantes exultam perante um público tão interessado.

DSCN1145As crianças passam a manhã ensaiando, usam o camarim, são dirigidas pelo ator e diretor Rafael Nagel (que também coordena um grupo de pesquisa teatral que recupera a tradição medieval japonesa, faremos um artigo exclusivo sobre seu fantástico trabalho, em breve), que já planeja uma oficina para a próxima edição do Festival, baseado na experiência vivida com minha filha e suas amigas. A apresentação é um sucesso, com bom público e performance empolgante das crianças que deliram ao serem ovacionadas no final. Os pais e presentes debatem sobre a relevância das artes no processo educacional dos pequenos, reforçando a sensação de que a instituição Escola deve ser replanejada com urgência. Conheci Susete Coutinho, que está na vanguarda de um projeto que vem permitindo uma alternativa legal aos pais que não querem que seus filhos passem pela escola, desenvolvendo-se de forma mais democrática. Farei um artigo específico sobre esse modelo revolucionário de educação (nem o termo educação é adequado a tal modelo.)

DSCN1059Mesmo com o frio, o lago tem um movimento maior, com mais gente nadando bem à vontade. As áreas de camping são tão frequentadas quanto a área dos restaurantes e lojas (que já começam a liquidação de fim de festa, com camisetas a partir de R$ 10,00). Quem espera encontrar o povo de ressaca, após a batalha apocalíptica de 5 dias contínuos de entrega à psicodelia profunda (sabem o que eu quero dizer…), encontra todo mundo com cara de bom domingo, alegres, dispostos e conversando animados.

Nota mais relevante ao longo desses dias de Psicodália, confirmada nessa terça-feira, 5º dia de evento: ninguém está aqui para seduzir! Curioso em um Festival com fortes referências hippies, gente despreocupada em nadar pelada, todo mundo muito bonito, corpos tatuados, estilosos, roupas leves, não paira no ar nenhum clima de pegação. Nas tendas, durante os shows, baladas, nas muvucas, alto grau etílico, não se vê a xavecação que pode parecer óbvia em tais circunstâncias. Há predominância de casais, que namoram sem vergonha, mas sem exibicionismo, casais héteros, homossexuais e mesmo transgêneros não se preocupam em escandalizar ou exibir seu amor. Seria possível defender que esse povo maluco todo é careta demais, por tanto pudor, mas o que parece é que o clima de fraternidade predomina sobre o ambiente de sedução. Soubemos de apenas um incidente prontamente resolvido pela equipe e pelos presentes, uma briga que resultou na expulsão do Festival de todos os envolvidos.

DSCN1140Quanto aos shows do dia, o ponto alto foi mesmo a performance compromissada do eterno mestre Mutante, Arnaldo Baptista, que recebeu do público uma energia recompensadora por seu esforço. A cada música a galera respondia com uma ovação digna do artista que ele é. Para muitos foi o auge do Festival. O clima descontraído tornou as apresentações do dia em confraternização de grandes amigos, a relação do público com a banda foi tão próxima que parecia que todos já se conheciam de longa data. As tendas permaneceram cheias (de gente e lama) mas com folga para se chegar ao palco e voltar para pegar uma breja (sem medo de encontrar alguém xavecando sua mina).

Por incrível que pareça, o dia não termina, o povo vara novamente a madrugada num forró, depois black music, depois MPB e o que vier na sede da Rádio Kombi. Como as crianças estavam destruídas, eu e Juliana dormimos cedo, colocando todas as atrizes mirins para dormirem em nossa barraca. Liberamos seus pais para a balada e ficamos ouvindo de longe a noite fervendo do quase último dia. Sobre os banheiros, passados 5 dias de festival: o Psicodália é para quem não tem frescura, a equipe trabalha o quanto pode (estão sempre limpando e consertando o que quebra), mas a coragem tem que crescer com o passar dos dias…

Sobre Adriano Dias

Adriano Dias é um dos idealizadores do projeto, articulista e mergulhador no "mar de signos" em busca de formas curiosas e relevantes de cultura. Também leciona literatura, gramática e técnicas de redação como profissão.

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