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quinta-feira , 27 abril 2017
Poesia audiovisual: Matrix Reviewed

Poesia audiovisual: Matrix Reviewed

O artista inglês Stuart Pound afirma que realiza poesia em vídeo. Já trabalha em produções audiovisuais desde 1970, mas acabou por se tornar artista conceitual nesse segmento há cerca de 20 anos, quando passou a trabalhar em conjunto com a poetisa Rosemary Norman, buscando novas formas de expressão por meio da imagem em movimento. Há cerca de 3 anos percebeu a possibilidade incrível de criar uma sequência de recortes de uma mesma cena em uma sequência de fragmentos contínuos, gerando uma nova experiência audiovisual incrível. Não havia melhor filme para construir seu discurso plurissignificativo do que o clássico de ficção científica Matrix, de 1999. São duas das cenas mais marcantes em termos plásticos, primeiro o artista trabalhou com a parte em que Neo e Trinity destroem um elevador e todo o saguão de um prédio com uma bomba. No clipe mais recente, lançado há 2 semanas, o recorte é a primeira sequência do filme, editada em preto e branco, o que confere um ar ainda mais noir e cult às imagens. O efeito simples de retardar em fração de segundos a mesma cena e replicá-la cinco vezes tem um efeito incrível de musicalidade e reiteração, como na poesia, enfatizando a dramaticidade de cada instante da sequência. Veja:

Primeira cena de Matrix (introdução do filme)

Cena do elevador. Segundo as palavras do próprio artista: “…fragmento retirado de um filme de ficção científica bem conhecido é transformado em uma experiência semi-abstrata, na qual o mundo literalmente vira de lado. Há uma pequena diferença entre cada painel de imagens fazendo arranjos abstratos inesperados a partir do material original. A faixa de áudio é cortada junto com a imagem em movimento para dar um som reverberante e tenso.”

De 1999, Matrix é um dos filmes mais icônicos da ficção futurista projetada no mundo pós-internet, mesmo que tenha levantado uma leitura de realidade sempre presente no pensamento humano desde a antiguidade clássica. Independente das críticas quanto às falhas pontuais de coerência em seu roteiro, ainda mais levando em consideração as sequências que tentaram fornecer respostas às questões da primeira parte, o longa é uma das mais bem construídas histórias sobre a virtualização da realidade social. Já foi publicado aqui um artigo relacionando o filme com a proposta poética do movimento simbolista (século XIX) e com a filosofia platônica (A realidade é uma floresta de símbolos (A Matrix de Baudelaire)).

Quanto ao vídeo, na poesia há um recurso chamado reiteração, que consiste na repetição de uma conjunção (polissíndeto), termo ou expressão inteira (anáfora), deliberada, ou seja o poeta planeja a repetição que deixa de ser redundante e passa a funcionar como ferramenta patêmica, ou seja, de reforço no campo das emoções causadas pela leitura. A expressividade de um texto poético reside tanto na construção de sentido lógico quanto de fornecimento de estímulos patêmico-sensoriais (emotivos e relativos aos sentidos). É a capacidade de inter-relacionar os campos da razão com as emoções e os sentidos físicos (paladar, audição, olfato, visão e tato) que cria a magia da poesia. O que Stuart faz é justamente isso, criando um novo estímulo auditivo (produz um ritmo quase que de música eletrônica), visual (o conjunto de fragmentos contínuos e fragmentados, como um caleidoscópio), potencializados pelo recurso da reiteração. Simples, por isso incrível, como um bom poema.

Sobre Adriano Dias

Adriano Dias é um dos idealizadores do projeto, articulista e mergulhador no "mar de signos" em busca de formas curiosas e relevantes de cultura. Também leciona literatura, gramática e técnicas de redação como profissão.

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