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segunda-feira , 19 fevereiro 2018
Os sociólogos piram: Rolezinho é Flash Mob de pobre

Os sociólogos piram: Rolezinho é Flash Mob de pobre

A periferia invadiu o Shopping Center, num dos fenômenos mais emblemáticos da história da divisão social de classes. Os sociólogos piram! Enquanto as classes média e alta reclamam o direito de comprar em paz, de realizar seu lazer mais tradicional, seu rolezinho de fim de semana, sem correr riscos, formadores de opinião de plantão celebram a insurgência da massa de jovens em busca de poder usufruir daquilo que lhes é negado de nascença. Ativistas de clique ficam totalmente aturdidos, curtindo posts a favor dos rolezinhos, contra a discriminação da elite burguesa que barra a entrada de negros e maloqueiros no Shopping, e curtem “vai fazer rolezinho na biblioteca!”, numa crítica velada à cultura da periferia, sem achar que há contradição alguma nisso. Fantástico!

O rolezinho é a legítima criação brazuca da geração millenials. A periferia conectada agitou uma Flash Mob, sem ensaio, com seus celulares e com muito funk, decidiram zoar no Shopping. Nada mais natural, os jovens de classe média e média alta frequentam praças de alimentação de shoppings para paquerar (muitas vezes sem dinheiro nenhum), dão um rolezinho, desde que o shopping existe. Mas chega a horda de pardos com suas letras agressivas e lascivas, a energia do baile funk se espalha, energia popular é poder, poder contagiante, que enche de prazer quem está do lado do poder e de temor quem não partilha do mesmo discurso. Não é nada fácil avaliar o que é isso. Caso ainda não tenha visto, abaixo segue um dos vídeos gravados no rolezinho do Shopping Itaquera:

O que será que eles estão dizendo com essa penetração na igreja sagrada da classe média, no templo do consumo? mostrar a força da periferia? incomodar o establishment? Nada disso, só queriam zuar, curtir. As deduções acerca dos motivos ideológicos ou sociológicos que tenham levado essa avalanche de jovens a pegar várias conduções e se encontrem em um local seguro para paquerar e cantar a música que gostam é um surto intelectualoide da pobre e depressiva esquerda, que cresceu esperando o dia em que veria o povo reagir à opressão do capitalismo selvagem e tomaria o poder.

Em 2000, um grupo de manifestantes organizou uma visita de moradores de rua e de favela a um grande shopping na zona sul do Rio de Janeiro. Recuperando o que conseguiu das imagens desse dia, o cineasta Vladimir Seixas organizou o documentário Hiato, publicado em 2008. Veja que maravilha:

O rolezinho carioca de 2000 foi um discurso provocativo, arquitetado para jogar na cara da sociedade brasileira o quanto somos racistas, discriminatórios, reacionários, conservadores, mas os rolezinhos atuais não tinham essa intenção. Não havia aluno Uspiano, militante de movimentos sociais, bandeira nenhuma foi levantada, era só lazer, foi um acidente ter dado tão certo e tão errado ao mesmo tempo. Não há, de fato, luta de classes no Brasil, não há organização suficiente das classes para que haja tal luta. A molecada provavelmente gastaria bastante dinheiro no shopping durante o rolezinho, se tivesse tido tempo e liberdade para isso. Ninguém pagou para ver, o que é óbvio, em qualquer situação que repentinamente surjam cem, duzentas, duas mil pessoas juntas em um local público causa pânico em quem estiver por perto, inadvertidamente.

Mas o discurso foi feito imediatamente. A proibição por liminar dos rolezinhos insuflou botequeiros e formadores de opinião de todo o lado, que organizaram seu melhor discurso libertário em defesa das massas de oprimidos, produzindo todo um arcabouço sociológico de defesa histórica desse tipo de manifestação, criando a base ideológica intrínseca que ninguém imaginava que existia até então. Então, o que não era virou. Manifestantes engajados juntaram-se ao povo marginalizado para defender seus direitos contra a “burguesia hipócrita”, num circo de vaidades revolucionárias que imitamos dos franceses.

O que os novos engajados na defesa das massas não contam é com a possibilidade de essa galera que organizou os rolezinhos simplesmente desencanar, não comprar a briga, pois são gente de bem, dóceis como todo o resto da sociedade brasileira, só queriam zuar um pouquinho, mas se não pode, “foi mal, tio!”, “não tinha a intenção!”. Não tinham a intenção de ofender ninguém, não têm noção da aversão que causa sua música para quem não gosta dessa música, nem do quanto de medo causam nas classes mais abastadas. Mais do que revoltados com a repulsa que sofreram, ficaram tristes pela dura realidade que lhes bateu à cara. Mesmo assim, é mais provável que aceitem seu devido lugar no espaço, pelo menos enquanto grupo. (Cansados da polícia, jovens levam ‘rolezinhos’ para os parques de SP)

Paulo Freire já avisava que na relação opressor e oprimido, em nossa sociedade, o máximo que o oprimido consegue vislumbrar é tornar-se ele também um opressor. Enquanto o burguês revolucionariozinho exulta com a invasão do símbolo máximo do capitalismo, o Shopping Center, pelo povão, mal enxerga que esse povão que estava lá queria poder esnobar com todas as marcas de fetiche do mercado, com toda a futilidade que o capitalismo oferece. Não foi uma mobilização revolucionária, foi uma mobilização capitalista.

Um pouco de história:

Na primeira década do novo milênio o ocidente viu surgir um modelo de manifestação inusitado, originado das mídias sociais, que tinha por característica fundamental surpreender a todos os presentes com uma performance que parecia ter sido ensaiada, foram chamadas de Flash Mob (mobilizações instantâneas) e encantaram o mundo, virando moda. Partindo de adolescentes e cidadãos comuns, o modelo espalhou-se pelo mundo, sendo copiado por agências de marketing e grupos de mídia, que perceberam o potencial empático (emocional) desse tipo de manifestação. 

O Flash Mob remete aos happenings organizados na Holanda na década de 50 e 60, responsáveis por um conjunto de comportamentos que se espalharam pelo mundo e deram origem, por exemplo, ao movimento hippie americano (pesquise no Google sobre o PROVOS). Com a difusão da internet e o início da formação de comunidades virtuais, naturalmente volta à tona a intervenção social de mobilizações em grupo, que foram se tornando cada vez maiores e mais sofisticadas, como se pode ver nos vídeos a seguir. Veja a proporção do primeiro vídeo (de 2003) para o de 2009, no show do Black Eyed Peas. Ainda vale ressaltar (vem ao caso na discussão) a tentativa cada vez maior de relacionar esse tipo de manifestação com elevação cultural, mobilizando orquestras sinfônicas e dançarinos de balé clássico.

2011 – Carmina Burana do aeroporto de Frankfurt

2003 – Congela! Estação Central de Nova York

2009 – I’ve gotta feeling – Black Eyed Peas no show para Oprah Winfrey

Flash Mob da periferia

Se há um microcosmo que pode ser usado como análogo ao que se presenciou, este é a escola. Quem leciona em periferia já vivenciou o poder da “massa” de alunos cantando funk, dançando, cheios de energia e vontade de zuar. Há ali um comportamento de massa sim, há cultura legítima, força de grupo, identidade, e atemoriza professores, inspetores de alunos, direção e coordenação. A repressão é sempre imediata, o medo da insurgência paira no ar, a qualquer momento tudo pode sair do controle e virar um caos. Imagino esse micro-caos, essa sensação ansiosa de pânico, amplificado mil vezes. Pior, presenciado por quem nunca vivenciou nada parecido. Quando o controle é retomado (na escola), os adolescentes procuram sempre deixar claro que não tinham a menor intenção de estragar nada, pedem desculpas, são ultra-carinhosos, “foi mal, tia!”

Idealistas levantam a polêmica de que quando esses jovens descobrirem o poder que têm em mãos, o mundo mudará, mas não levam em consideração que toda a eloquência esquerdista, revolucionária que desenvolveram, que permitiria fazer alguma coisa com qualquer poder que tivessem foi desenvolvida nas grandes universidades, com amparo de uma boa família, com subsídio da burguesia. A grande massa que faz rolezinho não adquire essa cultura, nem quer mudar o Brasil, quer consumir, igual a todo mundo, quer pegar geral, zuar, não peça nada sério, que não é nada sério. Se eles quebrarem algo, capaz de pedirem “desculpa, moço”, tamanho respeito que têm pelo asfalto, fruto, sim, da imensidão que os separa identitariamente das classes mais altas, dos donos do shopping center. Veja outro vídeo gravado no Shopping Itaquera:

Enquanto o funk se estabelece como discurso de protesto realçando valores opostos à sociedade organizada burguesa, como crime, violência, sexo indiscriminado, nada mais natural que esse discurso seja rechaçado quando cantado fora de seu habitat de domínio. É óbvio que um cidadão burguês que vê um grupo que ele identifique como de periferia cantando funk para zuar, sinta medo de ser assaltado, por mais ridículo que isso possa parecer ao grupo de jovens que canta a música. Eles só cantam para zuar, mas seu mundo é único, particular, não há diálogo e o cidadão comum o desconhece e teme, foi treinado para temer.

Embora haja uma equipe fantástica de profissionais, em particular na educação, mobilizados por politizar e desenvolver senso crítico nas periferias do Brasil, buscando inclusive levar a cultura identitária dos moradores em consideração, o trabalho é lento, tirar o estigma do pobre brasileiro é um programa ambicioso demais. Esperar mais de uma manifestação como o rolezinho é ingenuidade revolucionária. Foi apenas um Flash Mob de pobre.

E você, o que acha?

Sobre Adriano Dias

Adriano Dias é um dos idealizadores do projeto, articulista e mergulhador no "mar de signos" em busca de formas curiosas e relevantes de cultura. Também leciona literatura, gramática e técnicas de redação como profissão.

10 comentários

  1. O texto reflete uma falta de compreensão enorme do que se refere tanto a psicologia das massas quanto de conceitos densos como “luta de classes”, por exemplo.
    Um sociólogo pode até “pirar” com essa tentativa (canhestra) de “desconstrução” do rolezinho como um “movimento” despretensioso de jovens que, longe de protestarem por qualquer coisa, querem é uma inserção no sistema que os nega por essência, por princípio. Agora note: um sociólogo pode pirar. Um acadêmico de gabinete que limita-se a utilizar conceitos com os quais pretende abarcar toda a realidade e, se não conseguir, o faz com fórceps.
    Mas esse texto é de uma confusão absurda para um marxista que sabe lidar com o pensamento dialético de maneira correta (filosoficamente falando). O pensamento esquemático e pobre utilizado para “desmascarar” o rolezinho é uma fraude dialética. Vejamos. O texto quer provar (e cutucar os sociólogos) que o rolezinho não traduz um movimento da luta de classes (que o autor nega existir no Brasil…) por que não tem “bandeiras” e não visa a contestação do sistema que os exclui, mas o rolezinho, em si, desejaria a integração a sociedade de consumo desenfreado.
    Como não tem condições de operar com o pensamento dialético, estagnado num esquematismo ordinário, o autor acerta exatamente onde erra. De fato o rolezinho nada tem de reivindicatório explicitamente. Nenhuma bandeira (a não ser que bonés John John o sejam…), nenhum líder “uspiano” (com quer o autor), nenhum objetivo que não o de ser reunir e se divertir, ouvir música em um lugar público.
    Mas é exatamente isso, e sua origem social (jovens pobres, em sua maioria) que o faz um reflexo da luta de classes. A despeito do nome (luta), o conceito não visa nomear etapas de luta física (ou sindical, etc) dos trabalhadores contra a burguesia, mas o conflito entre as classes sociais em qualquer escala (aberta ou escamoteada, teria preferido Marx).
    Não fosse assim, qual o motivo o acirramento da repressão por parte da polícia e do repúdio de parte da opinião pública burguesa e pequeno-burguesa?
    Por não desejar nada além de diversão, em grupo, num lugar público (shoppings), é ai que o rolezinho nos mostra uma face escamoteada do regime burguês sobre os pobres: a justaposição de lugares na sociedade. É público, mas muito pobre no shopping é motivo de alerta e repressão.
    Por que? Porque a sociedade burguesa não é para todos e, apesar de sua propaganda demagógica, não reserva os direitos da propriedade para o grosso da população.
    Ao desejarem se inserir onde jamais poderão estar inseridos, a sociedade burguesa mostra sua cara e isso, para os partidários da dialética, é enxergar diversas nuances de um tempo diferente da “calmaria” passada.
    Os ônibus queimados em protestos na periferia, expediente criticado por pequeno-burgueses por não entenderem as motivações dos manifestantes é uma demonstração explícita do descontentamento das classes oprimidas pelo sistema. O rolezinho, na sua tentativa de inserção, é a cutucada ideológica na burguesia e, outrossim, ventos da periferia não contente com o “seu lugar”.
    Com uma tautologia jornalística, o autor não consegue nada além de patinar sobre ideias remendadas dos próprios sociólogos que pretende ultrapassar, tentando explicar a luta de classes (que nega), com as lentes erradas, ou seja, com o ferramental enferrujado.
    Nada além da vozinha, fina e inexpressiva, da classe média “ilustrada”.

    • Clap, clap, clap! Fernando, que resposta, ainda estou relendo e reorganizando minha leitura parca e fragmentada do fenômeno dos rolezinhos. Sem ironia, embora haja uma carga enorme de fel no teu comentário, incomodado com a articulação de uma leitura possível de um fenômeno social emblemático, você apontou algumas incongruências bem pertinentes no meu artigo, particularmente sobre a “luta de classes” no Brasil (conceito que empreguei levianamente). Não pretendo ser mais que uma vozinha fina e inexpressiva, nenhuma pretensão de “formar opinião”, mas nenhuma vergonha em expor uma reflexão acerca do fenômeno, as impressões que tive, as deduções que, por meio da experiência e cultura (poucas, mas algumas) que tenho me permitiram construir um conjunto de ideias para engrossar o bate-boca do buteco. Nada mais.
      Obrigado por me provocar tanto.

    • Reli o artigo que escrevi e seu comentário de marxista dialético bem fundamentado. Não vejo motivo para tanta hostilidade e desprezo, mesmo porque o texto publicado não está em nenhuma revista acadêmica, não tem essa pretensão e não se dirige a esse público, tratando-se tão somente de uma reflexão (não uma tese, nem uma palestra ou prescrição de verdade panfletária) a partir de um paralelo interessante (o flash mob) e de algum empirismo (minha vivência em meio ao público que protagonizou o fenômeno). Pense o que quiser, mas é importante questionar as inferências acadêmicas sobre os fatos sociais relevantes, o quanto não são projeção de expectativas passionais de seus proferidores, ou mesmo uma possibilidade de aplicar suas respectivas metodologias científicas de bordagem da realidade, loucos para verem confirmadas as concepções sobre as quais vêm construindo suas carreiras e vidas, mesmo.
      Não que considere os documentos produzidos por esse campo do conhecimento desprezíveis, muito pelo contrário, nem considero o viés reflexivo que adotei mais digno de credibilidade e valor intrínseco que as inferências que li em artigos de grandes jornais, contudo, não vejo porque ignorar a possibilidade de considerar que “O rolezinho, na sua tentativa de inserção, é a cutucada ideológica na burguesia” seja uma tremenda baboseira marxista (não que ache o marxismo uma tremenda baboseira, mas é comum ao ser humano a aplicação abestalhada de metodologias brilhantes, como se fossem uma panaceia, em quaisquer situações, crendo serem suficientes as credenciais do pensador que as formulou para que tenham peso de verdade).
      Talvez não seja, é uma abordagem pertinente, mas, reforço, a possibilidade de ser uma baboseira e haver outra forma de abordar o fenômeno, um olhar por viés original, ainda não visto, justifica o artigo em questão.
      No mais, obrigado novamente por me provocar, embora de forma tão desnecessariamente hostil.

      • Adriano, veja bem.
        Apesar do fato de ser elogiado (ou criticado) por leitores desse espaço, dos quais, anoto, não faço parte (o meu comentário foi casual, uma vez que, atormentado por tanta parvoíce no tocante às “análises” do fenômeno do rolezinho, acabei escrevendo algo) não guarda nenhum interesse particular ao meu ver. Se isso é importante para você, social ou psicologicamente, trate de excluir meu comentário. Não vou ficar “batendo boca” com um “blogueiro” na internet que quer mostrar a pertinência de sua “análise” a malho de ferro. Porém, antes, devo, por motivos de puro descarrego de consciência, pedir-lhe desculpas pela “hostilidade”. Ah! A velha e boa ética pequeno-burguesa.
        Em seguida, gostaria de pontuar, apenas e tão somente para deixar claro que minha intenção original não era maltratar você ou outro “blogueiro”. Isso é uma coisa fácil de inferir, uma vez que, além do seu nome assinado no pé do artigo, nada sei sobre sua pessoa e não tenho então motivos para ser-lhe hostil. Portanto, nossa pequena contenda teórico não é nada pessoal, mas sim, ideológica, ainda que seja uma fagulha perto de outras polêmicas maiores e mais importantes.
        Deixe-me posicionar-me em relação as suas críticas ao meu comentário.
        Você, para desqualificar meus argumentos, parte de dois lugares comuns, retóricos e vazios, que faz com que os argumentos voltam-se contra você mesmo. Vejamos: primeiro, você “desculpa” seu texto de possíveis falhas por conta do mesmo não ser “uma tese acadêmica”, mostrando já o respeito que você tem pelos mesmos senhores que no texto, deseja ridicularizar. Isso mostra que, além de fracos, seus argumentos são contraditórios e baseados numa reflexão, como você mesmo colocou, de boteco. Para continuar seu míope ataca, uma vez que não pode me contra-argumentar, haja visto a fraqueza de sua episteme, parte para a fácil caracterização dos intelectuais marxistas como “pregadores da verdade absoluta”, querendo dizer com isso, que o marxista não é uma ciência, mas sim uma seita que visa surrar os fatos sociais para que eles se enquadrem nas categorias filosóficas (que, ao seu ver, são dogmas) desejadas.
        Você está, mais uma vez, profundamente enganado. Em todos os aspectos. Porém, não te culpo. Você só faz reverberar o que os acadêmicos, polemistas e a intelligentsia em geral “acha” do marxismo e das pessoas que, abertamente, assumem esse solo epistemológico em suas análises da sociedade.
        Agora, aos fatos que você encarecidamente quer mostrar válidos em seu texto.
        O “paralelo” com o flash mob. Não, o rolezinho não é um “flash mob de pobre”, como no seu insigth. O único ponto em comum entre os dois é a questão das redes sociais como um aglutinador. E ponto.
        Negar que o rolezinho é uma “cutucada ideológica na burguesia”, taxando essa análise de “baboseira marxista”.
        Ora, por que não seria um incômodo para a burguesia ter que reprimir as classes populares nos shoppings, aos olhares escandalizados da classe média tapada, se essa questão é crucial para o funcionamento do sistema que eles dominam? Explico. Ao querer “esnobar com todas as marcas de fetiche do mercado, com toda a futilidade que o capitalismo oferece” o “povão” mostra a contradição desse sistema que rotula-se de democrático e progressista. Na tentativa de consumir, se inserir, abre-se a ferida que expõe o funcionamento do capital: propriedade. No campo ideológico: distinção pelo consumo. Como não se trata de um modo de produção racional, que visa suprir as necessidades da população, essa ferida não tem cura, só conseguindo no máximo se esconder com bandagens. Por isso, para além de baboseiras, enxergar o rolezinho como o que ele de fato é, não significa exaltar o o pobre que “toma de assalto” o coração do capitalismo, mas, na inconsciência de jovens pobres que querem consumir, entender a lógica de funcionamento desse sistema e, além, a atual “incapacidade” das classes subalternas a permanecerem nos seus devidos lugares.

        • Ahhhh! Vai te fuder! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (brincadeira) puta preguiça de responder apropriadamente, meu caro Fernando, mas disse hostilidade não à minha pessoa, mas na forma de argumentar, mesmo. Ainda nessa réplica sua eloquência (que vc sabe ser eficiente) desnecessariamente faz uso de uma série de termos depreciativos claros ou sob forte sarcasmo. Mas beleza, tua arrogância intelectual contra os blogueiros burgueses (provavelmente você é proletário, cresceu lendo livros achados nos lixões e lutou com todas suas forças para desenvolver o senso crítico que tanto te orgulha contra as agruras do sistema) impede que qualquer leitura seja levada a sério, até porque o marxismo, assim como qualquer outra metodologia de abordagem da realidade, é autovalidante, não aceita premissas que não contemple… teria que discutir usando a tua dialética… preguiça!

  2. “Enquanto o burguês revolucionariozinho exulta com a invasão do símbolo máximo do capitalismo, o Shopping Center, pelo povão, mal enxerga que esse povão que estava lá queria poder esnobar com todas as marcas de fetiche do mercado, com toda a futilidade que o capitalismo oferece.”

    Resumiu tudo…

    • É incrível como quem se envolve em uma “causa libertária” não percebe que o “povo” pelo qual ele luta para libertar pode estar querendo produzir a mesma sociedade que ele tenta derrubar.

  3. Na minha opinião o que vc diz de blabla de “comuna” só passou a existir depois de medidas exageradas de segurança como multar em dez mil “pessoas” que viessem fazer rolezinho no shopping até onde eu sei só se pune uma pessoa depois dela praticar um crime

    • Pode ser, não dá pra precisar a cronologia, desde quando se começou a inferir motivos e ideologias para a ação organizada dos rolezinhos. Mesmo assim, não questiono a reflexão sobre a ação das autoridades (ainda que seja muito mais fácil avaliar uma ação policial sentado em uma mesa de carvalho, cercado de uma bela biblioteca de lombadas de couro, que no sangue quente do front), mas as deduções feitas sobre o que estaria por “trás”, quais seriam as “reais” motivações da invasão da periferia.

  4. Muito bom esse post. Diferente dos outro que eu vejo por ai, ele é bem esclarecedor. Eu também escrevi um pouco sobre o assunto. Se puder veja:

    http://www.orbenon.blogspot.com.br/2014/01/a-polemica-do-rolezinhos.html

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