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sábado , 24 fevereiro 2018
Os educadores somos todos nós

Os educadores somos todos nós

end-of-the-worldDe quem é a culpa da desobediência, individualismo, imediatismo, insegurança, ansiedade, insatisfação, falta de respeito dos jovens atuais? E talvez mais importante, de quem é a responsabilidade por remediar esse processo, retomar o controle da juventude, da formação de cidadãos e criar um mundo melhor?

R.1: da escola (a primeira resposta que vem na cabeça e a real expectativa da sociedade)

R.2: da família (as outras, pois a minha é muito bem criada)

R.3: de todos nós (os outros)

Meia-noite em ParisPrimeiramente é importante questionar o seguinte pressuposto: será verdade que a sociedade que queremos formar é uma retomada de um processo que se perdeu, que havia um plano, estava tudo correto, mas veio degringolando e se perdeu, precisamos voltar a ter o controle e retomar o caminhar para frente? Qualquer análise detalhada do passado revela uma permanente insatisfação do cidadão com sua contemporaneidade e a menção à épocas anteriores como melhores que a sua, é o mote do maravilhoso filme de Woody Allen, “Meia-noite em Paris” – todo mundo acha que antigamente era melhor. Portanto, o que se discutirá aqui não é necessariamente a retomada de algo que se perdeu, mas, talvez, a reflexão sobre possíveis noções que permitirão a construção de uma sociedade mais justa (nunca antes vista).

castigo-fisicoPretendo defender a seguinte tese: a crise da atual geração é educacional e diz respeito ao conceito de educação, relacionado pelo senso comum à Escola e à Família, mas mais à primeira instituição que à segunda, por razões que serão explicitadas. Delegando apenas à uma instituição em crise a tarefa de dar os limites, os parâmetros de comportamento e cultura necessários para se criar um cidadão, está constituído o cenário em que as forças tradicionais de equilíbrio social estão cada vez mais frágeis. Para tal defesa vou usar descaradamente a conceituação de Freud, no seu “Futuro de uma ilusão”, sobre cultura e sua preservação.

O elemento que distingue a humanidade das demais espécies é a cultura. Esta é responsável tanto pelos produtos ao nosso redor, quanto pelas práticas e instituições reguladoras das relações entre os homens. Preservar a cultura é manter viva a possibilidade de coexistirmos, pois entende-se por cultura (ou civilização) a oposição à natureza selvagem, ao estado em que satisfazemos indiscriminadamente nossos impulsos. Assim, é função de cada membro da sociedade garantir essa preservação.

Educação é um termo que diz respeito ao conjunto de ações que controlam os impulsos humanos que podem causar dano, atrapalhando a coexistência mútua entre seres. Assim, atos que limitam, estimulam, formam o ser social, vulgo cidadão, são atos educacionais. Educar, nessa perspectiva, é toda ação que vise preservar as relações cordiais, as regras de convívio e a dinâmica de poderes que regulam a civilização. Educar é lutar para manter a sociedade viva e funcionando.

educarConstruímos uma instituição cada vez mais indispensável e poderosa, encarregada desse processo de formação durante os anos de imaturidade dos cidadãos: a Escola. Contudo, reduzir a ação educadora ao espaço e momento escolares acabou por tornar-se um processo irresponsável, pelo qual cada indivíduo abre mão de seu papel educador. Ao vermos filmes antigos, é comum cenas em que crianças são reprimidas por qualquer adulto que os flagre em ação reprimível, seja professor, familiar, padre ou cidadão comum. Esse tipo de relação de poder, em que o adulto tem a prerrogativa e a autoridade de educar, vem desaparecendo aos nossos olhos, conforme se delega, cada vez mais descaradamente, apenas à escola essa tarefa, conforme o conceito Educação foi sendo assimilado quase que na totalidade pela instituição escolar, chegando a se tornar quase sinônimo de Escola.

Recuperar o conceito de educação como relativa a todos os atores sociais, isto é, todo mundo, eu e você, a todo momento, esse é o processo que possibilitaria não um retorno à moral e bons costumes do passado, mas talvez melhor, a pavimentação de uma realidade social mais responsável, compartilhada e generosa, o famoso “mundo melhor”. Um gesto de gentileza na rua educa; uma crítica a alguém que jogou lixo ao chão educa; pegar o lixo jogado ao chão por outra pessoa a levá-lo à lixeira educa.

A manutenção e aperfeiçoamento contínuo da sociedade humana, que é, por princípio, o instrumento que permite nossa convivência e autorrealização, depende da educação. Esta é uma prática de todos, individual e a todo momento. Os educadores somos nós, mas ativos. Abaixo seguem alguns virias legais que rezam essa cartilha. Compartilhe o bom exemplo e generosidade.


Sobre Adriano Dias

Adriano Dias é um dos idealizadores do projeto, articulista e mergulhador no "mar de signos" em busca de formas curiosas e relevantes de cultura. Também leciona literatura, gramática e técnicas de redação como profissão.

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