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terça-feira , 21 novembro 2017
Onde, em nosso corpo, mora a consciência?

Onde, em nosso corpo, mora a consciência?

cerebro-conscienciaUma das questões mais antigas que nós humanos nos fazemos e justamente sobre a origem dessa “entidade” capaz de questionar, lembrar, projetar, capaz de dizer “eu”. O que é isso que me diz, internamente “Eu sou”. Foi a questão fundamental da teoria do pensamento de René Descartes, que o fez chegar à famosa conclusão “penso, logo, existo”. A reflexão gira em torna da possibilidade de flagrarmos a existência concreta de um local onde a chamada consciência “habite”.

Por consciência, entenda-se, simplificadamente, a capacidade de se perceber existindo e perceber o mundo ao seu redor. No Aurélio: “consciência: s.f. Conhecimento, noção do que se passa em nós: ter consciência de seus deveres. / Percepção mais ou menos clara dos fenômenos que nos informam a respeito da nossa própria existência: perder a consciência. / Sentimento do dever, moralidade: um homem sem consciência.”

Nas ciências, a área responsável por essa busca é o Departamento do Cérebro e Ciências Cognitivas, composto por psicólogos, neurologistas, engenheiros mecatrônicos, químicos e mais um bando de loucos. A última e incrível descoberta desse núcleo de pesquisa é que a consciência se manifesta no córtex e que ela pode ser medida. O método foi desenvolvido para detecção do estado mental de pacientes em estado grave, verificando se estão vegetativos ou se há atividade consciente em seus respectivos cérebros. Os brasileiros Adenauer Girardi Casali e Karina Casali fizeram parte do grupo que desenvolveu a técnica.

Antes desse método, o diagnóstico do estado de consciência se dava da seguinte forma: a primeira tarefa de um paciente era abrir os olhos, depois tinha que tentar falar e, finalmente, realizar movimentos. Com os resultados em mão o médico era capaz de diagnosticar o estado do paciente como vegetativo, minimamente consciente ou síndrome de encarceramento, no qual a pessoa tem plena consciência do que acontece ao seu redor, mas não é capaz de mover nenhum músculo. Esse diagnóstico tem uma margem de erro de 40%. Um exemplo famoso desse tipo de síndrome é o do jornalista Jean-Dominique Bauby, autor de “O escafandro e a borboleta”. Assista o trailer do filme abaixo para você ter uma ideia do que é passar por isso:

general-anesthesia-coma_1A ideia é que a consciência sempre está acompanhada de muita informação: cores, formas, sons, sensação de corpo, temperatura, memória, emoção. Tudo isso preenche ou forma uma experiência consciente qualquer. Porém, informações diferentes são processadas em áreas distintas do córtex. Se o cérebro é capaz de gerar uma cena consciente, diferentes regiões devem se comunicar e trocar informações. Com isso em mente, os pesquisadores desenvolveram uma técnica para medir o tipo de comunicação e interação entre as áreas do córtex.

Karina explica que todas as técnicas que existiam até hoje são baseadas na percepção do paciente, mas esta metodologia específica aplicada em seu trabalho independe disso. É um estímulo eletromagnético que capta a resposta dada (pelo cérebro) a ele. A vantagem, segundo a cientista, é que os estímulos são dados mesmo sem a percepção dos paciêntes.

Se a consciência de uma pessoa pode ser realmente medida, os médicos terão mais consistência ao dar o diagnóstico de seus pacientes, desenvolvendo o tratamento mais adequado. Essa metodologia também pode fornecer dados mais precisos para casos polêmicos, como de eutanásia, por exemplo. Os resultados dos estudos que vêm sendo feitos a partir dessa nova técnica ainda possibilitarão o desenvolvimento de teorias cada vez mais sólidas sobre quem somos nós, quem é esse que, dentro de você, diz: “Eu sou!”

Sobre Ana Carolina F. K. O.

Ana Carolina é bióloga pela Universidade Federal de São Carlos. Docente de ciências e biologia, reside em Belo Horizonte e sacia seu espírito investigativo em sites de Universidades do mundo todo.

3 comentários

  1. Adriano / Ana Carolina, li há pouco uma outra teoria muito interessante, elaborada pelo médico holandês, Pim van Lommel. Segundo ele, a consciência não reside no cérebro, ela não está limitada a ele. Talvez esteja numa esfera maior. Ele relata isso através da análise em pacientes com experiências de quase morte (que morreram e foram ressucitados por médicos): http://super.abril.com.br/ciencia/7-maiores-misterios-universo-acontece-morte-743168.shtml

    • Hum… vamos ver! Valeu a dica. Tem alguns artigos que estão tangendo o campo do misticismo em pesquisas relativas à consciência e projeção do eu. É o caso do polêmico Dr. Robert Lanza, com sua tese do biocentrismo (que propõe reescrever a ciência por meio do estudo da vida e não mais da física – é mais complexo que isso). Há tanta controvérsia sobre as teses dele (que evita debates com detratores de suas teorias) que fica difícil emitir opinião isenta.

    • Ana Carolina F. K. O.

      Leonardo,

      O fato de experiências demonstrarem que talvez não haja um lugar específico para a consciência infelizmente também não nos esclarece de onde ela vem e como funciona!
      O ideal serial implantar em pacientes terminais uma série de eletrodos e fazer uma varredura eletromagnética na hora em que morrem e na hora em que voltam. Infelizmente, ou felizmente, isso parece-me impossível, sem dizer nas questões éticas a que esse tipo de pesquisa levaria.
      Assim, como está escrito no artigo, “a ideia é que a consciência sempre está acompanhada de muita informação: cores, formas, sons, sensação de corpo, temperatura, memória, emoção”.
      O que me intriga no artigo que você nos mandou é o fato de pessoas que tiveram experiência pós-morte relatarem encontros com pessoas que nem se quer sabiam que tinham morrido. Mas será que é necessário estar morto para podermos encontrar pessoas em nossa consciência?
      Sem citar as experiências extracorpóreas que pessoas relatam quando estão em profunda meditação.
      É complicado…

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