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segunda-feira , 24 julho 2017
Observação pessoal sobre a gente que tem preguiça
Ilustração da sul-coreana Crystal Kung (http://crystalkung.tumblr.com/)

Observação pessoal sobre a gente que tem preguiça

Ilustração do americano Josh Billings (https://www.behance.net/joshbillings)

Ilustração do americano Josh Billings (https://www.behance.net/joshbillings)

Tenho preguiça. Isso, claro, faz de mim um preguiçoso. Mas não que eu goste desse traço peculiar em minha personalidade. Pra sociedade, ser preguiçoso não é bom. Em uma entrevista de emprego, portanto, jamais diria que sou preguiçoso. Isso certamente me faria perder a vaga. Mas mais do que isso: isso certamente me faria despender energia para explicar o porquê de eu admitir minha seletiva ociosidade. O preguiçoso mantém, através de um mecanismo automático de defesa indolente, um esforço mental contínuo para evitar um esforço físico posterior. Paradoxal, não? Por isso, nesse texto, vocês percebam que o ritmo é quebrado pela constante pontuação. Se escrevo assim, não se engane, é porque gosto de descansar nas pausas. Para nós, preguiçosos, o descanso é fundamental para a sobrevivência. Tanto quanto comer. Por essa razão, comer deitado é de extremo deleite perceptual e o momento deve ser aproveitado de modo parcimonioso, sem interrupções. É difícil sofrer de preguiça. Primeiro, o julgamento coletivo que te corrói a qualquer ato de resistência quanto a gerar qualquer energia que irrompa sua inércia. “Para de moleza”, diz um, “você parece um velho”, esbraveja outro. O fato é que os mesmos que te apontam o dedo com afirmações ofensivas não compreendem que, no fundo, somos como celulares no modo avião. Estamos vivos, claro, mas com o objetivo de poupar bateria. Quando nos deitamos e esquecemos de apagar a luz, é uma necessidade instintiva e inata o auto desafio de encontrar um objeto estirado capaz de pressionar o botão à longa distância e fazer o dissipar da luz introduzir a principal atividade operativa dos preguiçosos, que é, sem dúvidas, o ato de dormir.

Ilustração do brasileiro Henrique Cassab (https://www.behance.net/HenriqueCassab)

Ilustração do brasileiro Henrique Cassab (https://www.behance.net/HenriqueCassab)

O meu ponto de vista aqui é defender a inserção dos preguiçosos no meio social, de forma a acabar com o preconceito contra essa espécie. É sabido que há inúmeros graus de preguiça, mas todos, como demonstrei, são capazes de se esforçar de algum modo, mesmo que seja para furtar-se de um esforço subsequente. Isso é a prova de uma capacidade útil para a sociedade. Graças a nós, serviços como Ifood e Whatsapp são oferecidos para a população. Se fosse por aquele pessoal que as 6hrs da manhã veste roupa fitness pra correr no meio da Av. Paulista, estaríamos ainda enviando cartas e, choquem-se, cozinhando nossas próprias comidas. Pior, depois teríamos que lavar a louça. Bate na madeira. Com a comida congelada e a pizza, avançamos por um progresso jamais antes visto na humanidade. Se fosse pelo pessoal que levanta pra mudar de canal quando não encontra o controle no sofá, estou convicto que alguma outra espécie animal teria nos vencido na batalha de Darwin.

Concluo, entretanto, deixando claro que nossa preguiça é sobre esperar a comida ficar pronta no microondas, sobre colocar o chinelo ao invés do tênis por cansaço de vestir a meia, sobre comprar shampoo 2 em 1; jamais será de conformação política ou social. Até porque, meus amigos, quando vejo Cunha na câmara me dá tanta preguiça que tenho vontade é de ir pra rua.

(Sim, deu preguiça de escrever isso; e sim, deve ter dado preguiça de ler também)

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Sobre Luks Ramos

Autor do livro "Frentes e Versos" (http://www.literabooks.com.br/frenteseversos), pela LiteraBooks, Lucas tem uma imaginação com síndrome do pânico. Não há espaço interno que a satisfaça. Então conversaram e lhe foi oferecido o papel. Depois foram convidados a publicar suas belas insanidades por aqui. Aceitaram.

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