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domingo , 26 março 2017
O que dar de Natal: Que tal uma mudança de conceito?
Ilustração de Pascal Campion (http://pascalcampion.blogspot.com.br/)

O que dar de Natal: Que tal uma mudança de conceito?

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Ilustração de Pascal Campion (http://pascalcampion.blogspot.com.br/)

Ano passado postamos dois artigos sobre presentes criativos: 5 ótimas sugestões de presentes que (quase) ninguém lembra de dar e 5 ótimos presentes para crianças que ninguém pensa em dar. Contudo, acho que chegou a hora de irmos mais fundo.

Acho que não sou só eu que já dei todo o tipo de presente que há no “mercado” para as pessoas que amo. Camisas descoladas, livros, canecas, estilosas, chinelo de quarto, carteira, bijuterias, CD (ninguém mais dá CD, mesmo assim já presenteei assim mais de uma vez) e, principalmente, bugigangas de lojas descoladas que eu mesmo sei que não são usadas como se imaginava ao comprar (já ganhei várias também). É o preço de vivermos em uma sociedade de consumo na qual o presente dado é, simbolicamente, a demonstração de carinho mais consagrada. E o pior é que a mesma sociedade de consumo criou-nos uma ansiedade de comprar fora de época que já nem mais precisamos de praticamente nada ao chegar o amigo secreto de fim de ano. Quem mais, além de mim, não soube o que colocar na lista do que “quer ganhar” de presente, ou “o que está precisando”, pois não está precisando de mais nada.

Está tão consolidado o conceito de que o valor de presente é simbólico do tamanho do afeto (e todos sabemos quanto custa quase tudo) que a equação do carinho ficou não apenas cara, mas beirando o impraticável, na medida que o que se pode comprar já não mais tem graça, ou foi dado, ou frustra por não representar mesmo o que sentimos.

fafaOpa! Talvez seja hora de olhar para o espírito do momento. Estamos vivendo uma deliciosa mudança de paradigma, trocando a competição pela colaboração, um quase fim de mundo, ou de um mundo (o que conhecemos), talvez justamente pela doença que sentimos, essa mesma ansiedade compulsiva que nos corrói o estômago e só um bom Shopping salva (Ai, que vontade de comprar). Qual seja o motivo, vivemos tempos de alternativas e o Natal é uma oportunidade rara de vivenciar essa mudança. Por isso, pensamos em sugestões de presentes originais e que cumpram sua função de definir nosso carinho e comunicá-lo.

Pode ser que não seja tão prático quanto comprar pela internet ou mesmo passeando pelo Shopping, mas satisfará a sensação de “Preciso dar algo diferente que expresse o quanto gosto” que um presente deve ter e serve como proposta sutil e poderosa de transformação também pessoal. O que sugerimos é uma mudança do conceito que dá valor ao presente com o óbvio, aquilo que todos sabem, mas não se pratica, ou seja, que o carinho expresso pelo presente seja medido não mais pelo quanto custou, mas pelo tempo e dedicação nele gasto. Ou seja, em vez de gastar muito em pouco tempo, propomos gastar quase nada com bastante tempo, fazendo com que a pessoa que queremos presentear sinta não mais o “NOooossa, esse presente foi caro, essa pessoa me ama de verdade” (como queremos que signifique, no fundo), por um “Noooossa, não acredito que pensaram em mim e gastaram tempo fazendo algo tão significativo assim”.

Daremos 5 dicas concretas que funcionam mais como diretriz que como lista fechada, ou seja, permitem que a ideia seja compreendida e uma gama ampla de outros “presentes” podem ser criados pelo mesmo princípio:

1. Escreva um relato recordando uma vivência incrível que tiveram juntos e monte um livro artesanal com a história

livro artesanal

livro artesanal

Presente com custo quase zero e que certamente será recebido e guardado com muito mais amor que qualquer vale-compras da Renner. Depende um pouco de disposição e autoconfiança, embora não tenha necessariamente a ver com talento, pois a proposta não é criar uma obra literária para publicação ou apreciação pública, mas um relato (o poema pode realizar essa tarefa muito bem, também) que expresse o carinho sentido. Há diversas alternativas de inspiração, pode-se narrar uma aventura que viveram juntos, recordar alguma promessa ou segredo guardado há anos, ou mesmo inventar uma aventura possível , narrar um sonho que já planejaram e ainda não se realizou, contando como se fosse uma recordação de algo já vivido. Depois do relato rascunhado (que não precisa ter mais de uma página), monte-o em formato de minilivro, como mostra o fantástico manual do Wikihow (http://pt.wikihow.com/Fazer-um-Livro-Artesanal), ou qualquer outro tutorial online. Veja também o blog http://makinghandmadebooks.blogspot.com.br/:

2. Gravar um clipe (vídeo) (entrevista, curta, depoimento) sobre o que sente, o que lembra e o que espera da relação.

Ilustração de Pascal Campion (http://pascalcampion.blogspot.com.br/)

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Por muitas vezes cobrei de meus alunos que fizessem um vídeo como trabalho obrigatório sobre qualquer assunto, seja um livro de leitura obrigatória, alguma polêmica contemporânea ou pura ficção. Sempre encanta o quanto fica incrível o resultado, mesmo dos trabalhos mais toscos, conforme o conhecimento de edição de vídeo que cada um tenha. Hoje temos programas nos próprios celulares que fazem isso, como o Animoto e o Magisto (para iOS e Android). O Iphone ainda tem aplicativos de modificação da câmera, como o 8mm Vintage Camera, para dar uma cara antiga no clipe ou o SloPro para câmera lenta. Ou seja, só precisa de um mínimo de criatividade e fazer um filme inesquecível que expresse seu carinho por quem ama.

A proposta é semelhante à anterior, no que diz respeito a gravar em um documento a expressão de carinho, com uma marca pessoal que transmitirá uma dose de calor junto, que o dinheiro não consegue comprar. Que tal botar um terno, pegar um microfone e fingir um telejornal cobrindo algum evento fantástico, uma cena de bebedeira, algo engraçado vivido com a pessoa para quem o vídeo está sendo feito? Ou simplesmente uma entrevista consigo mesmo, relatando a importância em sua vida que a pessoa tem, emocionando a todos.

3. Compor uma música

Ilustração de Pascal Campion (http://pascalcampion.blogspot.com.br/)

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Deu para perceber que a proposta é fugir do convencional por meio do que ensinávamos as crianças a fazerem para demonstrar carinho a seus professores, ou que a escola faz em datas comemorativas como Dia dos Pais, das Mães, e sempre funciona. No caso de um presente de adulto, ganha ainda o ingrediente do inusitado, quem recebe uma música, criada e gravada especialmente para si, como presente de Natal, imediatamente percebe que o gesto não durou uma ida ao Shopping, mas demandou cuidado, dedicação, gastou-se um bem muito mais precioso nos dias de hoje que o dinheiro: tempo. Que tal brincar de trovas e compor uma melodia, talvez uma paródia de algum clássico também fique bom, com uma letra que diga o quanto a pessoa a quem você presenteará é especial para você, o que já viveram juntos, oque gostaria de dividir a mais com ela?

Para quem pensar: Eu não sei tocar nada, não sei fazer música, lembro que estamos na era da facilitação via smartphone. Há dezenas de aplicativos que fazem o trabalho duro por você, como o Loopy, iMaschine, Figure, o Beatwave (iOS) é sensacional. Escreva sua trovinha como se fosse um trabalho de escola, grave a canção. Se quiser algo mais sofisticado, grave em um CD, imprima um adesivo para decorá-lo, compre capinha e tudo (nada que gaste mais que R$ 5,00 no total). O CD do seu carinho será um presente inesquecível.

4. Aprenda a fazer e Faça uma comida especial

Ilustração de Pascal Campion (http://pascalcampion.blogspot.com.br/)

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Talvez uma trufa, algum doce exótico, bolachas caseiras (tipo de nata, coco, cookies). Caso conheça alguma particularidade dos gostos de quem se quer presentear, fica mais fácil pensar numa guloseima carinhosa, que pode bem receber um acabamento especial, como o formato de coração ou algum objeto que simbolize a pessoa querida.

Perceba que importa muito a qualidade do quitute (é bom que seja bem gostoso), mas lembre-se que a qualidade do presente está na dedicação que ele demandou, portanto, vale caprichar na embalagem: talvez uma lata (leite ninho) adornada, ou uma caixa em que se imprima uma marca criada por você, representando a “indústria” de seu carinho como fonte do doce.

5. Crie o seu presente de tempo dedicado: 

Ilustração de Pascal Campion (http://pascalcampion.blogspot.com.br/)

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Que tal um VALE-OMBRO, ou VALE-OUVIDO, impresso com o cuidado de ser semelhante a uma nota de dinheiro, ou cheque, destacando a disponibilidade de se predispor a ajudar quando for preciso.

O conceito de criar um objeto que concretize seu carinho pode e deve prescindir do valor monetário do objeto, pois, como uma espiral, os gastos vêm se tornando proibitivos e cada vez menos sentimos a verdadeira satisfação pretendida com as bugigangas que compramos de Natal. É o sintoma de um modelo que está em fase de esgotamento, assim como toda a sistemática que o sustenta.

Além do que, sua atitude estará colaborando, indiretamente, com a consolidação de uma nova matrix, opa, matriz de demonstração de carinho. Tenha certeza de que você não será único/a (tomara) a tomar essa atitude tão inovadora e certamente sentirá uma outra alegria junto com o prazer de presentear: a sensação de estar mudando para melhor (você e o mundo).

Sobre Adriano Dias

Adriano Dias é um dos idealizadores do projeto, articulista e mergulhador no "mar de signos" em busca de formas curiosas e relevantes de cultura. Também leciona literatura, gramática e técnicas de redação como profissão.

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