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segunda-feira , 23 outubro 2017
O amor é químico, está disponível na farmácia.

O amor é químico, está disponível na farmácia.

OxytocinVocê já ouviu falar do Dr. Love (Doutor Amor), pois é o apelido de um dos cientistas mais carismáticos da atualidade. Sua pesquisa levou à descoberta da química responsável pela moralidade, pela sensação de bem estar, do prazer que costumamos sentir e associar ao conceito de AMOR. Seu nome verdadeiro é Paul Zak e o nome do hormônio é Oxitocina, ou Ocitocina. Sua descoberta traz reflexões profundas que devem ser feitas. Um paradigma milenar está em cheque.

Zak já se tornou uma celebridade pelas palestras que ministra ao redor do mundo, com uma performance empolgante, como por meio da TED Talks abaixo, intitulada “Confiança, Moralidade e Oxitocina”, em que explica o processo de concepção da tese, a metodologia usada para averiguação das hipóteses e os resultados obtidos. A palestra dura 16 minutos, mas é surpreendente o dado exposto: o amor existe em frascos de aplicação nasal, à venda na farmácia da equina de sua casa.

OxytocinEntre tantas revelações que o discurso embasado do Dr. Love promove, uma das mais interessantes é a relação feita por ele entre o Amor e a Moralidade. Toda a sua pesquisa foi fundada na busca de uma “molécula da moralidade”, que atuasse na produção de nossos juízos de valor quando tomamos atitudes de valor moral, ou ao menos, que estivesse ligada a este processo. Assim, Paul Zak procurava o princípio ativo químico de nossa moral, a raiz do juízo entre Bem x Mal. Sua explanação segue e percebemos que sua tese é construída sobre a percepção de que somos inundados de uma solução química ao vivenciarmos uma experiência moral bem sucedida, isto é, quando sabemos que o que estamos fazendo é correto. E, BINGO, essa sensação é quimicamente idêntica a de outras que costumamos relacionar com o sentimento chamado AMOR.

Zak não afirma nada disso, apenas expõe sua descoberta, como o corpo humano é inundado de Ocitocina quando vivencia situações de bem estar como casar, amamentar, ajudar alguém a atravessar a rua, doar dinheiro, contribuir para algo bom, abraçar alguém. Abstratamente, nomeamos as sensações relativas a cada um destes gestos com nuances diferentes do termo amor, como ternura, paixão, fraternidade, generosidade, abnegação, cordialidade, mas nosso corpo experimenta algo praticamente idêntico.

oxytocinOutra dedução espantosa derivada da descoberta do Dr. Amor é a seguinte: se o Amor (ou a sensação físico-química que temos e associamos à manifestação do amor) é produto de uma reação química, ou melhor, de um processo fisiológico, e mais, pode ser provocado (ao inalarmos um composto com ocitocina), talvez todos os demais sentimentos tenham a mesma proveniência, talvez possamos, com estudos semelhantes a este, identificar, isolar e/ou produzir quaisquer sensações que queiramos. Há uma perspectiva assustadora de que a indústria químico-farmacológica venha a produzir componentes que nos deixem irados, calmos, complacentes, revoltados, apaixonados ou indiferentes, é só questão de tempo e investimento em pesquisa.

brave-new-world Tais especulações assombram, particularmente por questionarem nossa própria identidade humana, tudo o que solidamente acreditamos sobre como somos. Nossos sentimentos e sensações pertencem ainda ao universo do abstrato, junto com Deus, projetos, ideias e sonhos. Considerar a possibilidade de que toda a magia de nossa existência (amar, odiar, sermos generosos ou termos medo, tudo que é fruto da subjetividade) pode ser flagrado em um microscópio, manipulado por um comprimido (ou líquido inalável) nos faz repelir instintivamente tal ideia como uma maldição ou teoria malévola contra tudo que há de mais sagrado. Pessimistas projetarão um mundo caótico com bombas de medo, toda a humanidade robotizada, controlada quimicamente, como Huxley propôs em seu “Admirável Mundo Novo” com o Soma (droguinha deliciosa que deixava todo mundo bem, alienando imediatamente qualquer sensação que provocasse questionamentos).

Todavia, essa pesquisa abre a possibilidade de produzir quimicamente uma sociedade generosa, curar avaros, promover bombas de amor (elixir das bruxas medievais), muito embora não haja nenhuma prova de que nossa existência seria melhor nessas condições. Apesar de buscarmos a felicidade constante, de fugirmos, repelirmos sentimentos desagradáveis como tristeza, medo, angústia, aflição e ira, tais experiências internas podem fazer parte necessária de um complexo processo de equilíbrio interno. Estamos apenas no nível da especulação, mas vivermos constantemente felizes pode nos tornar neurastênicos, ou suscetíveis demais a qualquer variação emocional.

O certo é que a descoberta do Dr. Paul Zak coloca em cheque um paradigma poderoso, uma verdade até então sólida, o amor, talvez não seja abstrato, não seja dor que arde sem se ver, ferida e talz, mas tão somente uma inundação química em nossa corrente sanguínea, resumindo a condição humana a uma composição fisiológica, como o autorretrato de Augusto dos Anjos:

PSICOLOGIA DE UM VENCIDO

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e á vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Sobre Adriano Dias

Adriano Dias é um dos idealizadores do projeto, articulista e mergulhador no "mar de signos" em busca de formas curiosas e relevantes de cultura. Também leciona literatura, gramática e técnicas de redação como profissão.

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