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quinta-feira , 25 maio 2017
Kamishibai: a arte medieval japonesa de contar histórias pela Caravana do Sonhar

Kamishibai: a arte medieval japonesa de contar histórias pela Caravana do Sonhar

1Alessandra Nascimento e Rafael Nagel são mais que atores de teatro, eles são a única companhia de teatro brasileiro a produzir nos palcos daqui um dos modelos mais antigos de se contar histórias do mundo, ainda preservado em seu formato original: a técnica Kamishibai, que data do século XII, oriunda dos templos budistas japoneses.

Há mais de uma década, os irmãos de São Bento do Sul, em Santa Catarina, comandam a Cia. Caravana do SOnhar e, desde 2011, a partir das pesquisas de Alessandra Nascimento, adotaram o “Teatro de Papel” (tradução de Kamishibai). Encantados com vários elementos constituintes desse modelo de teatro, pesquisaram, buscaram registros originais e decidiram incorporar no repertório de seus projetos a narrativa das lendas do oriente em seu modelo tradicional. 10329124_688005317955070_3235126019110217002_nO grupo fez uma releitura da forma nipônica, utilizando uma bicicleta ao invés do tradicional carrinho de chá. As ilustrações foram feitas pela artista visual Dianalice Ribeiro, que buscou inspiração nas gravuras japonesas, e também estudou a forma de desenho para o Kamishibai. Particularmente as crianças são seu público-alvo, como é comum ao modelo japonês.

1506989_765213303547660_5193632044325496218_nTrata-se de um mini teatro de madeira sobre rodas (como um carrinho), dentro do qual guardam-se as lâminas desenhadas. Cada uma delas refere-se à uma cena importante na narrativa, dando corpo ao imaginário fantástico que é narrado pelos atores em cena. Eles ainda utilizam outros recursos cênicos, como fumaça, por exemplo, mas a magia das ilustrações que surgem, uma a uma, conforme a história acontece, é o grande barato da peça. A encenação tem ares de ritual, de sagrado. Fica evidente ao público (de qualquer idade) que em torno da caixa de madeira ocorre algo milenar, mesmo porque os contos tradicionais apresentados são carregados de um encantamento tipicamente oriental, estranho e irresistível.

10524727_677059042363087_2870451531845440644_nUma das formas mais antigas do homem difundir preceitos morais, levar seu povo a refletir sobre a própria conduta é contar parábolas. A construção de uma caixa com abertura pela qual se pudesse colocar lâminas desenhadas, substituindo-as conforme a historia passa, foi concepção dos monges budistas do século IX. Por meio do “Teatro de papel”, instruíam seus discípulos e mesmo a população dos vilarejos sobre como deveriam se comportar. Não há registros confiáveis da evolução dessa técnica, mas sabe-se que artistas populares copiaram a ideia e criaram variações da caixa com rodas, ou com alças (para serem carregadas às costas), passando a apresentar-se em público, feiras, nos feudos do Japão.

10505435_688005361288399_6180642919126880157_nDurante o período Edo (1603-1867) e no Meiji (1868-1912), registra-se uma variedade enorme de artistas de rua realizando suas performances de estilos variados, usando imagens e narrando, ou misturando a narrativa à uma interpretação teatral concomitante (como é o caso da companhia Caravana do Sonhar).

Várias lendas do folclore japonês tradicional já foram traduzidas e apresentadas pela dupla, como: “Tanabata Matsuri”,  que conta a história de um pastor e uma tecelã celestial, que perde seu manto sagrado e não pode voltar para seu reino nas nuvens, lenda essa que deu origem ao “Festival das Estrelas” e “Urashima Tarô” uma das lendas mais antigas do folclore japonês, na qual um pescador ajuda uma tartaruga em apuros, que, como gratidão o leva para conhecer o palácio do Rei Dragão do Mar.
Para conhecer mais, curta a fan page da companhia: https://www.facebook.com/cia.caravanadosonhar
Veja uma apresentação do grupo:

Abaixo, um vídeo de 1959, mostrando crianças no Japão assistindo ao kamishibai

Sobre Adriano Dias

Adriano Dias é um dos idealizadores do projeto, articulista e mergulhador no "mar de signos" em busca de formas curiosas e relevantes de cultura. Também leciona literatura, gramática e técnicas de redação como profissão.

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