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terça-feira , 20 fevereiro 2018
Eu que não ajudo minha mulher em casa!

Eu que não ajudo minha mulher em casa!

Tenho muito o que fazer, eu faço minha parte, ela faz a dela. Inclusive, esta é uma frase tão machista quanto a feminina: “Meu marido me ajuda muito em casa!”.

Viver dá muito trabalho, sujamos e bagunçamos o mundo ao nosso redor o tempo todo. Louça, roupas, chão, espelhos, banheiros, quintal, para onde vamos deixamos um rastro de trabalho a ser feito. Continuar existindo razoavelmente bem pressupõe o cumprimento de tarefas rotineiras, os chamados “trabalhos domésticos”. Manter a casa em ordem e o seu próprio habitat habitável é tarefa de quem a habita, de todos eles. Não há motivo lógico que determine serem das mulheres as atribuições dessa manutenção.

varridaLavar a louça, arrumar os sapatos jogados pela casa, passar um pano, lavar o banheiro e cozinhar não são tarefas de minha esposa, mas da nossa vida em comum. Portanto, quando eu realizo alguma dessas ações não a estou ajudando mais que ela a mim quando as faz. Nesta perspectiva, a ajuda pode ser entendida, no máximo, como mútua, mas prefiro pensar que não há ajuda, mas cooperação (operação conjunta).

É preciso deixar bem claro que o machismo não é prerrogativa dos homens, não somos os únicos, nem os mais importantes propagadores do modelo de vida que torna acomodados os machos há milênios. A dinâmica encarregada de distribuir as tarefas entre masculinas e femininas é desenvolvida nas atitudes mais ordinárias. Delegar aos botecos, ao futebol de sexta-feira, à cerveja e ao samba o encargo de serem responsáveis pelo machismo na sociedade é de uma ingenuidade infantil.

Quando uma mãe cobra da filha mulher que seja responsável com a organização da gaveta do armário, que ajude a pendurar roupas, a varrer a casa enquanto o irmão dela pode ficar jogando videogame, está pavimentando mais uma via para a continuidade dessa ridícula distinção entre tarefas que pertencem a um gênero e não a outro.

A esposa que propaga, toda orgulhosa, que seu maridão “ajuda muito em casa” (coitadinho) está fazendo coro com o discurso segundo o qual as tarefas que ele realiza não competem aos homens, são todas de sua alçada e o esposo, abrindo mão de sua masculinidade, rebaixa-se por amor (quase uma caridade) ao plano feminino quando lava uma louça (deixando as panelas “de molho” para depois) ou quando varre o chão.

Desde a queima dos sutiãs até os dias de hoje (para ficarmos apenas no clichê) as mudanças na relação das mulheres com o mundo têm produzido profundas transformações na dinâmica social como um todo. A esta emancipação tem sido incutida a responsabilidade, inclusive, da decadência de uma das instituições humanas mais poderosas: a família. Concordo. Graças à luta pelo reconhecimento de seus direitos e por igualdade de tratamento, a mulher tem sido pivô da ruína dessa tradicional potestade.

HousewifeA distribuição de tarefas em uma casa é um dos pilares da sociedade patriarcal, arcaica e ultrapassada que está ruindo, para desespero de todos os velhos oligarcas das relações humanas. Não vemos mais casamentos (ou relacionamentos) prosperarem apenas por comodismo, por tradição ou obediência. É risível esperar que uma mulher moderna, independente, em busca de sua autorrealização (assim como o homem) entenda que seu marido chegou cansado do trabalho (o dela não cansa) e só quer sua cervejinha; caso se disponha a lavar a louça, mereça uma celebração (a critério do casal) como reconhecimento pelo serviço prestado.

Alerto para todas as matérias de revistas femininas (ou em quaisquer outros veículos) que se valham do chavão da “mulher moderna” tendo que dar conta de ser profissional de sucesso, mãe, dona de casa e amante ao mesmo tempo. Essa mulher é uma machista de primeira ordem, querendo carregar nas costas o fardo de sua realização e, no colo, seu maridinho mimado.

Só um acerto de contas. O título foi provocativo. Muitas vezes deixo a louça de lado para ajudar minha mulher com a correção gramatical de algum e-mail ou relatório que esteja fazendo.

Tenho muito o que fazer, eu faço minha parte, ela faz a dela. Inclusive, esta é uma frase tão machista quanto: “Meu marido me ajuda muito em casa!”

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Sobre Adriano Dias

Adriano Dias é um dos idealizadores do projeto, articulista e mergulhador no "mar de signos" em busca de formas curiosas e relevantes de cultura. Também leciona literatura, gramática e técnicas de redação como profissão.

3 comentários

  1. Parabéns pela capacidade de ser justo e pensar como pessoa.
    Pena que estamos longe dessa prática… a sensação que tenho é que estamos cada vez mais longe.

  2. Uma excelente potagem e tema bem interessante.tanto o mulher moderna como o homem deve se ajudar mutuamente…para não sobrecarregar uma pessoa só…planejar juntos e dividir tarefas e bom para ambos..sobra mais tempo para o lazer..eu minha esposa fizemos assim desde que ficamos juntos..são dezoito anos de amor e convivência mutua…com opiniões e dialogo aberto e sincero…as decisões importantes são tomadas por ambos…os segredos de um longo e bom relacionamento!
    valeuuuuuuuuu..
    Abçs

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