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segunda-feira , 23 outubro 2017
Em tese, apenas uma história de amor: Rita (Capítulo 2)
Tela da espanhola Isabel Ruiz Ruiz (http://www.facebook.com/isabelruizruizilustradora)

Em tese, apenas uma história de amor: Rita (Capítulo 2)

RITA

Carolina indo, carolina em mim crescendo e me mudando, dei meu primeiro beijo, o segundo, peitos, coxas e meu pinto duro até com o balanço do ônibus.

Fui namorar a primeira vez lá pelos 18 anos. Nessa época a avalanche da adolescência já terminou, fase de buscar respostas nos escombros das frustrações e nas luzes dos acertos.

Um vai e vem de obrigações existenciais, afinal passa-se a adolescência toda com o imaginário projetado nas realizações dos 18 anos, as festas, faculdade, o sexo abundante, drogas, copo de cerveja em uma mão, cigarro noutra, rodeado de gente interessante: a Balada.

Em quantas não se vai pelo compromisso desse projeto, como uma atribuição. E esse imperativo sobrepujou, por muitas vezes, a tal plenitude que sabia dever querer buscar.

Gastei tempo demais constituindo currículo, carimbando fêmeas abatidas na cabeceira da cama.

Detalhe da tela da espanhola Isabel Ruiz Ruiz (http://www.facebook.com/isabelruizruizilustradora)

Detalhe da tela da espanhola Isabel Ruiz Ruiz (http://www.facebook.com/isabelruizruizilustradora)

Namorei Rita por 2 anos, os mais prolíferos de minha carreira de canalha, que ainda não decidi pela culpa. Mulher certa na hora errada. Eu tinha, para comigo, uma reputação e um autoconceito a construir.

Rita era doce, fã de New Kids On The Block e papéis de carta. Tinha uma pasta imensa de poemetos copiados e chorava em novela.

Acho, hoje, que a namorei como um experimento. Teve a pressão, ela apaixonada, chorando minha indiferença, e era gatinha, certa escassez de bocas pra beijar, a pentelhação de xaveco. Um namoro é conveniente.

Apalpava seu corpo com a volúpia de um cientista dissecando sapos. Ainda não sei se era frígida ou se eu era afobado demais, mas esse argumento nunca me convenceu. As imaturidades se combinam, ou deveriam. Minha imperícia sexual deveria ser compensada com uma pulsão descomunal de tesão por parte dela. Não me venham com romances de pirralhas com garotões de 30 e todos. A natureza é sábia. Ou deveria…

Consolidei minha crença na frigidez de Rita. Mais ainda pelas pervas que intercalei com o compromisso, talvez grandes atrizes, mas suavam comigo.

Gozei em todo seu corpo. Ela, acho que nem chegou perto.

Tem mais, uma aliança é o melhor xaveco para os 18 em diante.

Na verdade, a recordação de sua pasta de papéis de carta, sua força e concentração, para não dizer apatia, enquanto me embrenhava no seu corpo, sempre me deram azia.

Retificando: Mulher errada na hora certa.

Forçando a barra, se tento estabelecer um contínuo, Rita significou o limbo, espelhou a inexistência transcendental de minha angústia. Com ela, e acompanhando-a, estive concentrado em ser um corpo. Para dentro o tempo era curto, tinha que estudar, escolher caminhos, saber quem eu era.

Ressinifico tanta putaria como objeto, como material de análise. Se fosse acadêmico, diria que estava coletando amostras, mas é como emoldurar uma escultura.

Tela da espanhola Isabel Ruiz Ruiz (http://www.facebook.com/isabelruizruizilustradora)

Tela da espanhola Isabel Ruiz Ruiz (http://www.facebook.com/isabelruizruizilustradora)

O que me faz crer, aqui chego ao ponto, que permaneci envolvido na bruma da ânsia em ter alguém, ou em alguém, na mais incomensurável amplitude de complementação, o encontro de existir plenamente; creio por ter desencanado do glamour, da sedução de grandiosidade que envolve a independência, a balada.

Cansei, desencanei, superei, replanejei meus interesses espontaneamente, guiado por vozes. Isso não é pouco.

Lembro que lembrei de Rita no percurso em retorno à busca. Um misto de remorso doce, comoção e vazio, acompanhado das perguntas “Quem foi Rita?” e “Quem era eu que namorei Rita?”.

Estranho, mas os anos mais gloriosos de minha vida social, até agora, de acordo com o que se espera dever viver e se gabar e constituir uma história de vida bem vivida, parece terem sido vistos num filme hollywoodiano. Contar do eu que viveu isso tudo me remete ao mesmo âmbito em que guardo afetivamente as memórias dos eus literários que vivi.

Nem fui eu ou ela que pôs fim, tem coisas que acabam por si mesmas. De mim, já disse, ficou uma impressão distante já no dia seguinte. Ainda tinha o conceito sobre os fins espontâneos.

Em tempo, anistio-me das dores que lhe causei, na medida em que fui seu personagem démodé de desejo-amor-desilusão.

Sua casta era das que vivem planejando, mesmo que inconscientemente, paixões complexas para dar sentido à vida. Precisam namorar, não sem antes ser alguém que lhes seja indiferente e, paixão em curso, o volume de lágrimas derramadas quantifica o Índice de Importância da Própria Vida.

Em suma, proporcionei-lhe capítulos pra uma novela toda; realizei-lhe o projeto de vida.

Para quem ainda não leu o Capítulo 1: Carolina (Em tese, apenas uma história de amor)

Sobre Adriano Dias

Adriano Dias é um dos idealizadores do projeto, articulista e mergulhador no "mar de signos" em busca de formas curiosas e relevantes de cultura. Também leciona literatura, gramática e técnicas de redação como profissão.

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