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quinta-feira , 23 março 2017
Apresentando: Maura Amarga (Crônica de Mônica Estela)
Arte da turca Kübra Kılıç: https://www.behance.net/kubrakilic

Apresentando: Maura Amarga (Crônica de Mônica Estela)

12974504_1724521814432824_1685775318139320299_nAntes do conto, a devida apresentação:

Mônica Estela é a nova colaboradora da Revista Semema. Escritora talentosa de poesia e prosa, é atriz de formação (fez teatro na Anhembi-Morumbi e na Universidad de las Américas, no Chile), mas artista por vocação, adaptando seus talentos literários e plásticos ao know how do Teatro. Mônica trabalha e vive no Brasil ou no mundo, conforme aparecerem oportunidades, pois sua alma parece que rasgou-se do solo de origem. Atualmente está envolvida em um workshop de bonecos e marionetes da artista plástica belga Natacha Belova (Workshop Natacha Belova puppets, masks & costumes) em Belo Horizonte, apresentando seu personagem Januário (foto ao lado). Já morou na Alemanha também e, onde quer que esteja, desde a adolescência, escreve.

Seus poemas carregam uma combinação interessante de pungência lírica e engenhosidade linguística. Assim, às vezes encanta pela emoção que desperta no jogo gostoso e potente das palavras e dos significados que evocam, às vezes instiga pelos jogos de similaridades fonéticas, paranomásias, rimas acidentais e reiterações. Já publicamos dois poemas seus em nossa fan page do Facebook (https://www.facebook.com/sememarevista/) e agora é hora de apresentarmos sua prosa, igualmente instigante e rica em recursos linguísticos.

Mônica tem uma fan page no facebook, também. Para acompanhar sua produção, siga sua Ausência Ativa: https://www.facebook.com/ausenciaativa

Com vocês:

Maura Amarga

Tela da turca Kübra Kılıç: https://www.behance.net/kubrakilic

Tela da turca Kübra Kılıç:
https://www.behance.net/kubrakilic

Depois de eternos minutos ensaiando o movimento inicial, ela se levantou, como de costume. De camisolão, cabelos e cabeça bagunçados, coou o café, como de costume. Empurrou o corpo até o banheiro onde, como de costume, atirou água fria contra a cara patética. Olhou-se no espelho e como de costume, se achou a pessoa mais abandonada do mundo. Ela chorou como já era quase costume e estática ficou a admirar a beleza que existia em seus olhos cheios d’água.

Sua própria imagem à sua frente era tão real, que ela temeu poder estender a mão e tocar-se através do espelho. Foi quando uma gotícula cristalina expelida de si mesma e que escorreu por sua face, pescoço e colo, entrou por dentro de sua roupa e tocou o seu coração. Ela resolveu. E não era de costume resolver. Ela deixou de passar o pó facial. O blush, o rímel e o batom. No lugar disso, se amou por se saber humana. Acariciou-se no rosto e penteou os cabelos.

Na cozinha, tomou o café preto. Já não tão doce como de costume. Surpresa, deliciou-se no amargo da bebida. Amargura sincera parece ser mais atraente do que uma doçura refinada. Resolveu e não era costume resolver, que este passaria a ser seu café. O seu novo café. Menos doce.

Ilustração do artista de Andorra Martin Blanco: http://www.martblanco.com/

Ilustração do artista de Andorra Martin Blanco:
http://www.martblanco.com/

Dançando chegou até o quarto, onde lentamente se despiu. Segundo por segundo, centímetro por centímetro de pele. Pôs-se nua frente ao espelho, que refletiu, então, uma verdade excitantemente real. Seus seios pareciam ter tomado a forma de gotas de lágrimas, tão cheio de pranto e espera seu peito estava. Os bicos rosados continuavam a mirar o céu, enquanto os dedos de seus pés fincavam agora na terra. Suas mãos a preencheram em todos seus espaços vazios. E ela desaguou enxurradas.

Pausa e contemplação. Vestiu-se com um vestido vermelho. Colocou aquele sapato de salto número 15. Ela não pegou a bolsa, tampouco fechou as janelas. Nem mesmo fechara a porta atrás de si. Ela apenas saiu pela porta e se foi.

Desceu pelas escadas, pelo simples prazer de escutar sua pisada decidida ressoando no assoalho da casa. Era o ruido de seu andar. Seu novo andar. Mais firme. Passou pelo porteiro e nenhum sorriso amarelo sairia de sua boca. Ela apenas o olhou e o viu.

Seu salto número 15 finalmente encontrou a rua. E mesmo sem saber para onde, ela foi. Na cara lavada aquele risinho convicto. E no caminho ela entendeu. Salto alto de ideologia rasa. Seus passos já não cabiam em moldes ou tendências.

Ela resolveu, porque é de seu feitio resolver, deixar os sapatos e o costume atirados na sarjeta.

Sobre Mônica Estela

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