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quinta-feira , 23 março 2017
Apenas mais uma história de amor: Capítulo 7 (ATÉ O PONTO)
Arte da americana Amanda Fisher (https://www.behance.net/amandafisher4756)

Apenas mais uma história de amor: Capítulo 7 (ATÉ O PONTO)

 

Arte da americana Amanda Fisher (https://www.behance.net/amandafisher4756)

Arte da americana Amanda Fisher (https://www.behance.net/amandafisher4756)

Mas não contava com seu pudor, que não era pudor, era vaidade, que era imaturidade, não, romantismo, por vezes dignidade, ou desfaçatez.

Toda previsão com uma mulher falha. Por tantas vezes quantas nos encontramos e desempenhamos nossas autonomias e, em transe, nunca mais fomos os mesmos, eu sempre mergulhava em uma convicção a nosso respeito, intensa, mas nunca a mesma.

E por mais que o tempo tenha se passado, independente do desenrolar dessa trama, com todo meu atual vocabulário e minha transcendência pessoal, não é precisa a equação desse processo de aproximação do ponto de vista feminino. O que Lua sentia e pensava, aparentemente tão claro no que dizia, como dizia, seus olhos, gestos, cheiro, canto, como era possível não ser nada daquilo?

Arte da americana Amanda Fisher (https://www.behance.net/amandafisher4756)

Arte da americana Amanda Fisher (https://www.behance.net/amandafisher4756)

E não era, que entremeava, já não lembro mais se numa continuidade momentânea ou dias depois (o que pouco importava em meu espírito em correnteza), seus sorrisos glaciais com intimidade milenar.

Isso é de se desculpar, convenhamos, embora não assuma a culpa de meus antepassados opressores, pois tenho sido, verdadeiramente e em constante luta, liberal, compreensivo, aberto a entender pontos de vistas contrários aos meus e, a depender da eloquência, aceitá-los como meus. Sei que a regra não se aplica circunstancialmente, mas ao geral. Mas a tirania feminina é tortura oriental enunciada num campo de abstrações digno dos sofistas, invertendo os vetores de culpabilidade.

Por que eu fui claro, por mais que, imaturo, modulando boa parte de minha performance pelas circunstâncias. Margeava a mesma declaração de desejo, até por que era o que condicionava também a modulação.

E Lua a gangorrear suas intenções, esquivando-se de qualquer investida que fosse o pulo por nosso abismo em horas que, por mim, os caminhos eram solidamente interligados, no segundo seguinte: o precipício, quilômetros ecoando – Lua, lua, lua, lua… constrangido como um estuprador acidental.

Arte da americana Amanda Fisher (https://www.behance.net/amandafisher4756)

Arte da americana Amanda Fisher (https://www.behance.net/amandafisher4756)

Já não me permito acusá-la de jogar comigo ou de ser uma desequilibrada, nem qualquer outro julgamento que pressuponha o entendimento do que ocorreu nessas horas. Mas acho que mereço um pedido de desculpas.

Houve um domingo, ou foram vários, que se esparramaram em meu hipocampo, mas monto o quebra-cabeças de um domingo, sentados numa nuvem qualquer embaralhando impressões de mundo e constituintes de nossas individualidades, em que fui direto ao ponto. Se reinventasse as palavras, disse:

– Fala pra mim, Lua, o que você pensa de nós? Por que ainda não demos um beijo?

E havia mais um catálogo de verdades que me angustiavam e caberiam na sequência, não fosse o pânico. Lua, isso eu lembro precisamente, respondeu numa composição abstrata de expressão de corpo e fala e olhos:

– Não rolou.

Arte da americana Amanda Fisher (https://www.behance.net/amandafisher4756)

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Ódio. Em que chão pisamos quando engendrados nesse tipo de trama? Que não se vê, decretando lamas e poças na direção exata em que pisaremos. Desses nós gesta-se, embrião do desejo, a necessidade.

Mesmo que não seja uma artimanha, funciona. Funcionou.

Quando nos encontrávamos em meio a um grupo grande de amigos, ora me prestava uma deferência digna de amante, ignorando as necessidades dela que outros sentissem, criando um vácuo ao nosso redor, cigarro acendido na bituca do outro, até o fim do maço, quando éramos a festa um do outro; ora um beijo – o pior é que não era frio e distante, havia a brisa de uma intimidade – no rosto. “E aí?” afetuoso e repartido, partindo pra próxima, nem mais um olhar no resto da festa, ao menos de exclusividade.

Capítulos anteriores:

Capítulo 1: Carolina

Capítulo 2: Rita

Capítulo 3: Lua

Capítulo 4: De Lua

Capítulo 5: Parênteses e Hipóteses

Capítulo 6: (Fecha Parênteses)

Sobre Adriano Dias

Adriano Dias é um dos idealizadores do projeto, articulista e mergulhador no "mar de signos" em busca de formas curiosas e relevantes de cultura. Também leciona literatura, gramática e técnicas de redação como profissão.

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