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quinta-feira , 17 agosto 2017
Ai que vontade de comprar!

Ai que vontade de comprar!

Black Friday

Cuidado com o consumo exagerado.

Em todo site que entro tem promoção à mostra, na rádio os comentaristas dão dicas de como não ser iludido pelas promoções maquiadas, um comichão vai subindo, uma vontade de não perder essa oportunidade que pode ser traduzida pela frase “Eu preciso comprar!”

Parece a sensação, quando eu fumava, de assistir a um filme em que os personagens fumam e eu na sala, proibido de queimar meu cigarro, cada vez mais enlouquecido: “Eu preciso fumar”. Parece o cara na balada, depois de ter tomado algumas cervejas, meio tonto, sentindo crescer a vontade ao nível de necessidade de dar um tiro (cheirar um pó). Parece aquele gordinho de dieta passando em frente ao bufê de doces, controlando um desejo titânico de pegar só um brigadeiro, mas querendo mergulhar na mesa.

Isso mesmo, somos viciados (em maior ou menor medida) em compras. Algum dispositivo químico deve ser liberado durante o processo de compra de qualquer coisa, mas a ânsia é maior que química é já um processo social tão importante quanto rezar aos domingos. Paira no ar o imperativo “Precisamos comprar”, só resta saber o quê. Então eu me defendo astutamente, afirmando que só vou procurar o que realmente estou precisando, tipo trocar a TV que ainda não é Full Hd, meu celular novo, o atual está com problemas no visor, um brinquedo para as crianças, não é para mim. É, meu amigo, você cedeu ao primeiro gole.

Nos grupos de auto-ajuda, como AA (alcoólicos anônimos) ou NA (narcóticos anônimos) há uma frase sobre viciados que é a seguinte “para álibi, mentira e manipulação, o dependente químico é campeão” – sempre haverá uma boa desculpa para, no fundo, satisfazer aquele desejozinho proibido ansiando dentro da gente, precisamos comprar algo. Quem é mais cara de pau já admite: “Comprar é uma delícia!”, alguns viciados admitem com a mesma franqueza sua adicção.

Aí você acredita que economizou trocentos reais ao comprar um ou mais produtos que, no fundo, não fosse a Black Friday, não compraria (portanto economizaria, além dos trocentos, mais o tanto que gastou). Isso porque o que foi comprado não era verdadeiramente preciso. Não é preciso comprar 70% do que compramos e, num frenesi insano como o proposto pela Black Friday, essa cota aumenta a quase 100% (dados auferidos pelo Datachute). Ou seja, se a justificativa do prazer é a economia, não comprar deveria dar o dobro de prazer, como a piada do português que deixou de correr atrás do ônibus e passou a correr atrás do táxi para economizar mais.

Este artigo não pretende jogar na cara de ninguém a falta de controle, de equilíbrio emocional quando consome, mas desabafar uma sensação que vem acompanhando o articulista ao longo do mês, pois os principais sites de varejo da internet estão anunciando a Black Friday desde o início de novembro. Esta semana foi um inferno e hoje, 29/11/2013, sexta-feira negra, eu estou sentindo uma necessidade premente de COMPRAR! AHHHHHHHH! De preferência algum equipamento eletrônico que é o barato de homem, se fosse mulher, estaria enlouquecida querendo dar uma passadinha na C&A.

A sexta frenética é novidade importada, é apenas o quarto ano no Brasil, liderada pelas varejistas com forte presença online, mas o frenesi do consumo atinge a gente quando vamos ao shopping em qualquer dia da semana. Todas as datas significativas para que possamos expressar sentimentos solidários e fraternos foram convertidas em datas de consumo exacerbado, o processo parece caminhar à insanidade. Mas é justamente o limite o que estamos vivendo.

Já venho afirmando em alguns artigos, como o CARPE DIEM: estamos vivenciando o fim do mundo, que vivemos uma época de mudança de paradigma. No que se refere ao consumo, várias iniciativas interessantes estão pipocando por aí, potencializadas pela capacidade viral da internet. Aí vai algumas, talvez seja homeopatia, mas parecem tentativas criativas detomar as rédeas da sociedade de consumo, ou, pelo menos, diminuir a força das grandes corporações:

1 – A principal iniciativa é combativa, transformar a Black Friday no Buy Nothing Day (dia de não comprar nada), numa espécie de boicote à sexta do consumo frenético. Surgido na Inglaterra (http://www.buynothingday.co.uk/), faz campanhas interessantíssimas (veja a galeria abaixo).

2 – Escambo: o modelo ainda está engatinhando. No Brasil temos o site TROCAKI, especializado em escambo. Nos EUA, há o SWAP DAY, ou dia do escambo – uma iniciativa ainda mal elaborada, criada nos Estados Unidos, sugerindo que se realize um grande dia de troca de produtos, aquilo que não me serve mais seja disponibilizado a quem possa precisar, em troca de que eu encontre algo de meu interesse. Já existe também uma máquina, a Swap O-Matic, que realiza esse tipo de transação (há alguns exemplares espalhados nos campi de universidades americanas). Veja o vídeo abaixo:

3 – Consuma do seu vizinho. A campanha não é necessariamente relativa ao Black Friday, mas vem ao caso. Nos EUA, a prática vem sendo difundida pelo slogan “Buy Local or Buy Nothing” (compre local ou não compre). Trata-se da tentativa de estimular a substituição do consumo das grandes cadeias varejistas pelas lojinhas de bairro, propondo a circulação de valores entre pessoas de sua relação mais próxima, seus vizinhos. Veja um dos exemplos na imagem que vem circulando pelo feed do facebook desde a semana passada:

Compre local ou não compre nada

Compre local

4 – Consumo colaborativo. A tendência vem sendo notada e difundida pela formadora de opinião Raquel Bostman, carismática palestrante que encanta com suas performances defendendo essa prática. Veja abaixo um vídeo explicando a prática:

Sobre Adriano Dias

Adriano Dias é um dos idealizadores do projeto, articulista e mergulhador no "mar de signos" em busca de formas curiosas e relevantes de cultura. Também leciona literatura, gramática e técnicas de redação como profissão.

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