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sexta-feira , 26 maio 2017
A fantasia transborda nas ilustrações de Carmel Seymour

A fantasia transborda nas ilustrações de Carmel Seymour

Deliciosa a arte da inglesa-austraiana-islandesa Carmel Seymour, nascida em Londres, crescida em Melbourne e residente da capital da Islândia (que teve o mais doido prefeito do mundo e tem a polícia mais legal do planeta), Reykjavik. Seu ambiente plástico é lúdico, familiar, íntimo, baseado em aquarela e lápis, mas guarda muito do traço e talento desenvolvido ao longo de 20 anos na indústria da moda. Assim, a arte que Carmel vem apresentando ao mundo nos seus últimos 6 anos é de um talento amadurecido, experimentado no mercado e com um universo interno que busca conciliar-se com um sentido mais profundo de existência.

Em todas as entrevistas que dá, Carmel Seymour explica sua formação como ilustradora de padrões e designer de moda, que perdurou por cerca  de 20 anos como profissão, bem como o quanto essa imersão na indústria do estilo e consumo foi fundamental para a formação de um incômodo cada vez mais intenso em relação ao modus operandi da máquina da moda e todo universo estético e significativo que ela incorpora. Sua angústia fez com que procurasse algo novo na pacífica Islândia, onde decidiu mudar seu rumo existencial assumindo-se como ilustradora autoral. Veja algumas obras:

Seus trabalhos logo foram celebrados pela crítica, divulgados viralmente pela internet e ela passou a expor com uma frequência que lhe garantiu a arte como profissão. E ela conquistou seu espaço com um discurso que congrega seu repertório em moda, domínio de cores e formas, com sua busca interior por conciliação, como vemos na recorrente presença de símbolos como o círculo e o infinito, de união entre os elementos da composição.Ela afirma, em entrevistas, inspirar-se na busca por representar os mistérios do mundo, por meio de um viés que permeia a visão infantil da realidade.

Nas obras têm uma características marcantes, como a mancha de aquarela que, por vezes introduz o universo inteiro, como que invadindo a composição, outras dando a impressão de que a realidade foi liquefeita, desmantelada em tinta. É a inserção da transcendência no cotidiano, visto que seus personagens são comuns, famílias que se unem num abraço (e desmancham em aquarela), uma moça lendo um livro, um casal abraçado. Beira o surrealismo em algumas obras, mas predomina uma busca por elevação, por expressar sua busca por algo mais que a realidade que só a arte pode conferir. Conheça mais de seu trabalho em seu site (http://carmelseymour.com):

Inspirado em suas ilustrações, dois poemas meus já nasceram:

poema1Pode pegar esse poema para você:
“Está vendo aquela montanha, amor,
imensa, única, invisível, monumento?
– Sou seu Senhor…
ela é meu sentimento!”

entregue à namorada como fosse seu,
são só palavras amarradas com engenho
e ciúmes é algo que não tenho,
não há nenhum sentimento aqui,
mas jogos ardilosos de linguagem
que ninguém vence, nem tira o sono.
quanto mais emociona mais prova que não me pertence,
não tem dono.

Pegue mais um:
“Amanhã desisto de você em definitivo,
vou postergar essa dor minha, meu remorso,
gostar mais um dia do que eu não posso,
o suficiente para lembrar-me vivo.”

Cole no Facebook de café da manhã
A poesia é tanto do poeta quanto de quem o lê,
mais até desse último, você,
tornando o brinquedo em titã, em lava, em coisa linda,
enxerga os sons de si e ouve a própria tinta.

Brinca:
“Quando acordar mais acinzentado,
apaga sua lousa com pano molhado,
borrando todo giz que pousar nela,
o que deveria ser sério virando aquarela…”

 

E este outro:

poema2Nasceu tal surgisse em terra a Beleza,
como nunca antes fora vista, assim, tão concreta.
Bem mais que os traços, os trejeitos,
os tons de pele e pelos perfeitos,
um quê de talhada a mãos de anjos entediados,
hipótese de nem ser humana de fato.

Como arte que era, evoluiu em forma pura,
fazendo do seu ao redor paisagem
e os limites da vista de quem a olhava, moldura.
Desconfiava-se não haver mão terrena
capaz de talhar obra tão prima
até que surgiu uma pincelada pequena,
leve escorregão nos contornos de sua pele fina,
traço mal dado de propósito, por capricho do artista.

Tão objeto estético mais que carne,
viu o deslize acidental consagrar-se,
virar num processo, ao espelho,
ao flagrar uma mecha inteira colorida,
mais parecendo um borrão vermelho,
tipo desenho de criança,
onde, no cabelo, deveria estar sua presilha,
posta no fim da trança.
E a mecha manchando, qual espalhamento de aquarela,
tomou, não corpo, que corpo foi o que foi tomado,
mas espaço absurdo dela para todo lado,
em expansão imprevisivelmente bela,
de modo a compor mais evidente
para o que nasceu e sempre foi ela:
Uma tela orgânica,
existindo como pulso à dinâmica de contemplação, submissão e culto.

E enquanto ainda é já quase toda plástica,
seu resto da antiga forma
caminha respingando delírios em nuvem,
fazendo-nos chorar gotas melódicas,
rescindindo à Salvação…

Sobre Adriano Dias

Adriano Dias é um dos idealizadores do projeto, articulista e mergulhador no "mar de signos" em busca de formas curiosas e relevantes de cultura. Também leciona literatura, gramática e técnicas de redação como profissão.

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