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quarta-feira , 23 maio 2018
Maravilha efêmera: 42 artistas criando arte para ser destruída

Maravilha efêmera: 42 artistas criando arte para ser destruída

É típico da transgressora arte urbana contar com a destruição da obra. Diariamente várias artes incríveis estão sendo cobertas nos muros do mundo todo, apagadas, rabiscadas. É constituinte desse modelo de produção. Não é atoa que a arte urbana vem se tornando o modelo mais crescente e valorizado entre todas as manifestações da atualidade, signo de uma geração em que a durabilidade não é o que se busca. Abaixo você verá um vídeo incrível de um projeto realizado em East Village (distrito de Manhattan, em Nova Iorque). 42 artistas grafiteiros, dos melhores de NY, invadem um edifício abandonado e, por 6 dias, produzem sem parar obras incríveis, gerando um gigantesco museu abandonado de arte moderna. O prédio ficou aberto à visitação por apenas duas horas, depois das quais foi interditado para demolição.

O grupo de artistas é “liderado” (aspas pois a liderança foi apenas o convite e a organização) por Hanksy, um dos mais famosos artistas de NY, cujo apelido é uma referência ao mais famoso artista anônimo da atualidade: Banksy. Quanto à produção e edição do vídeo, ficou a encargo de Nicolas Heller e Elan Alexenberg, respectivamente. Para completar a perfeição do clipe, trilha sonora “Lost Weekend” de The So-So Glos.

Assim como é típico do comportamento dos artistas urbanos atuais, questiona-se o valor da arte como objeto, qual sua função, em um mundo em que o mercado determina o que presta ou não. Enquanto há obras sendo leiloadas e comercializadas por milhares de dólares, produções de alto nível estético, situações estéticas únicas (como a cena das coca-colas pegando fogo), não têm público, exceto o grupo que estava lá, não virarão nem um tostão para seus criadores.

O citado Banksy protagonizou um discurso desse tipo quando esteve em NY, montando uma banca no Central Park com um senhor comercializando seus originais por US$ 60,00. Só vendeu 8 obras. Cada um dos compradores tem um objeto lendário, avaliado em US$ 31.000,00. Um dos compradores queria apenas alguns desenhos para decorar suas paredes, pois acabara de se mudar. Comprou 4 quadros com o desprendimento de quem com pra algo na ETNA, possui agora um acervo avaliado em US$ 150.000,00. Veja as imagens abaixo (no fim do post há um vídeo dessa intervenção):

A atitude dos 42 artistas novaiorquinos, de Banksy e tantos outros artistas de alto nível, como SUSO33, Juan Salgado, INTI e SOFLES, por exemplo, que alcançam uma repercussão internacional, recebem o elogio e a admiração da crítica especializada e do público em geral, reflete a mudança de paradigma que estamos vivendo, em que o que parece óbvio está sendo questionado. No paradigma vigente, o que está sendo substituído, é natural que perguntemos porque um bando de idiotas gastam seu talento pintando um prédio durante seis dias que será interditado duas horas depois de saírem e destruído depois. A resposta não tem sentido no modelo mercadológico, individualista, competitivo em que vivemos. Eles respondem: porque é legal, pois é divertido na hora, pois o que eles fazem é arte, não interessa se vale dinheiro ou não, talvez até melhor quando não. Estranho, né?

Leia nosso artigo A Revolução Invisível: já estamos trocando a competição pela colaboração e também CARPE DIEM: você está vivenciando o fim do mundo, nos quais são mais bem exploradas as ideias que embasam a tese de que ações como a do grupo de Hanksy aqui mostrada são representativas de uma nova realidade que nos cerca, já deixaram de parecer absurdas e reprováveis para tornarem-se, cada vez mais, modelo de conduta: agir porque faz sentido existencial, não porque tem utilidade financeira. Abaixo o vídeo da barraquinha de Banksy, no Central Park:

Na produção das obras do prédio em demolição participaram também os artistas Col Wallnuts, Elle, Royce Bannon, Russell King, Tony Depew, Foxxface, CB23, Alice Mizrachi/AM, Trap, Dick Mama, Cosbe, Tone Tank, Icy and Sot, ASVP, El Sol 25, NDA, Lunar New Year, Mata Ruda, Bishop203, GILF!, Sonni, Magda Love, Wretched Beast, Moustache Man, Nicolas Holibar, Mrs. Big Stuff, UR New York, Edapt, BD White, Enzo and Nio, Mr. Two Three, Mr. Toll, Elizabeth Glaessner, Cernesto, Left Handed Wave, Wizard Skull, Dee Dee, Vulpes Vulpes, Tako, Drippings.

Sobre Adriano Dias

Adriano Dias é um dos idealizadores do projeto, articulista e mergulhador no "mar de signos" em busca de formas curiosas e relevantes de cultura. Também leciona literatura, gramática e técnicas de redação como profissão.

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